
Há muitas maneiras de começar uma introdução de uma lista de melhores discos do ano. Podemos ir pela tradicional “Eu sei que há imensas listas e esta é só mais uma, mas vale a pena!”, mas é óbvio que não vale a pena. É que neste mundo de hoje em dia ninguém tem vontade própria. Nem eu, nem nós, nem eles, nem tu. Isso mesmo: nem tu. Tu não tens vontade própria, reges-te pelas opiniões dos outros, filtrando mais ou menos aquilo que consegues. É um dos problemas da sociedade, ainda para mais da sociedade de informação. Posto isto, porque é que faço uma lista de final de ano? Porque sou egoísta. É isso, sou egoísta. Mas toda a gente que faz uma lista é egoísta. Porra, o próprio José Cid seria egoísta, se fizesse listas de final de ano. Sem mais demoras, é com muito prazer (claro que sim) que apresento os melhores discos de 2005 para o Clube de Fãs do José Cid, ou seja, para mim. E não para ti.
30. Boy Least Likely To – The Best Party Ever
29. Prefuse 73 - Surrounded by Silence
28. Devendra Banhart – Cripple Crow
27. Stephen Malkmus - Face the Truth
26. The National - Alligator
25. M.I.A. - Arular
24. Gang Gang Dance – God's Money
23. Jaga Jazzist - What we Must
22. Sleater-Kinney - The Woods
21. Six Organs of Admittance - School of the Flower
20. Of Montreal - Sunlandic Twins
19. Smog - A River Ain't too Much to Love
18. Kano - Home Sweet Home
17. Dangerdoom - The Mouse and the Mask
16. Silver Jews - Tanglewood Numbers
15. New Pornographers - Twin Cinema
14. Cage - Hell's Winter
13. LCD Soundsystem - LCD Soundsystem
12. Bright Eyes – I'm Wide Awake, It's Morning
11. Jamie Lidell - Multiply
10. Oneida - The Wedding Os Oneida deviam ser canonizados, só porque sim. Porque eu quero, porque eu posso, porque eu mando.
The Wedding tem cordas, tem momentos que parecem Black Sabbath, tem momentos psicadélicos, tem tudo. “Lavender” é a canção do ano.
09. Broken Social Scene - Broken Social Scene Os Broken Social Scene evitaram o estigma do segundo álbum criando um primeiro álbum que para aí umas 10 pessoas ouviram (ainda assim, o dobro das pessoas que ouviram os KC Accidental na altura) e lançando
You Forgot it in People como a sua obra-prima. Assim, não existia estigma do terceiro álbum, mas mesmo assim houve pressão para acabar
Broken Social Scene. Os 500 e tal membros que constituem a banda passaram que tempos a gravá-lo e compensou. Durante esse tempo, entre outras coisas, a Feist tornou-se famosa para caraças. Não é um
YFIIP, mas mesmo assim valeu a pena.
Headbangin' é obrigatório durante todas as faixas densíssimas e a muralha de som deles. “Ibi Dreams of Pavement (A better Day)” é a canção do ano.
08. 13+God - 13+God Os Themselves com os Notwist (e não os Notwist com eles próprios). A Anticon vai à Europa. E resulta mesmo, a mistura do pseudo-hip-hop da Anticon com o sentido pop electrónico dos Notwist. Estranho, belo, bizarro, do mais alto nível. “Men of Station” é a canção do ano.
07. Kanye West - Late Registration College Dropout é dos melhores discos de hip-hop dos últimos tempos. Do princípio ao fim, não há uma única faixa dispensável, tirando, claro, os
skits parvos do igualmente parvo Bernie Mac. Posto isto, há boas e más notícias. A boa notícia é que há menos Bernie Mac em
Late Registration. As más têm a ver com o facto de ele continuar lá, mesmo que por menos tempo, e com Kanye ter convidado a Brandy para cantar. Porra, o homem pode ter o toque de Midas, mas ninguém é assim tão bom, mesmo que pense que é. “Gold Digger” é o
single do ano. “Diamonds From Sierra Leone (Remix)” é a canção do ano.
06. Lou Barlow – Emoh Emoh foi o primeiro disco a solo de Lou Barlow. Mas isto é enganador, já que muitas das coisas de Sebadoh eram Lou Barlow a solo e que Sentridoh também. O velhote esteve em Portugal na reunião dos Dinosaur Jr., mostrando-se muito mais dado aos palcos do que o Sr. J. Mascis e depois a solo, na ZDB e no Porto. É a melhor
jukebox humana de sempre, já que é, por natureza, um
songwriter bestial. “Mary” é a canção do ano.
05. Andrew Bird - & the Mysterious Production of Eggs Andrew Bird é o melhor assobiador do mundo. A sério, o tipo devia ter um cartão de negócios a dizer “Andrew Bird, assobiador, também faz uns biscates como violinista”. Violinista de formação, ao vivo dá um espectáculo do caraças e é, basicamente, um excelente escritor de canções. É que não é só o assobio, é o violino, é a voz e são as canções. “Skin is My” é a canção do ano.
04. Common – Be Quem é que quer saber se isto já foi tudo feito? Common é um MC excelente, Kanye West é um produtor magnífico, o que dá um
Be…err…acabaram-se-me os adjectivos.
Be não tem falhas, tem “The Corner”, um dos melhores
singles do ano, tem
samples escolhidos a dedo,
beats e rimas do mais alto nível e até tem o ultra-irritante John Mayer em modo aceitável. “The Food” é a canção do ano.
03. Electrelane – Axes As Electrelane são os Neu! do novo milénio e têm em
Axes uma obra-prima avassaladora. De Brighton para o estúdio do oculizado Steve Albini,
Axes mostra que as Electrelane não têm quase nada a ver com os Stereolab, mesmo que tenham as mesmas influências. “Two for Joy” é a canção do ano.
02. Sufjan Stevens – Illinois Esta não s>erá, porventura, a obra-prima de Sufjan Stevens, o rapaz que quis cantar a América profunda. É um disco enorme (literalmente), épico, um poema de amor a um estado norte-americano feito com a distância de quem não vive lá. Nesse sentido, pode ser visto como meramente um exercício de escrita criativa, mas não é isso. Temos bons arranjos, com muitos dos instrumentos tocados por Sufjan, temos a sua voz frágil e canções delicadas. “Chicago” é a canção do ano.
01. Animal Collective - Feels Era impossível prever isto, mesmo depois de
Prospect Hummer, o EP com Vasthi Bunyan. Do início ao fim, os Animal Collective fizeram um disco coeso, equilibrado, que mostra apenas o melhor deles e nada do pior.
Feels é o disco que confirma o estatuto da banda como uma das melhores bandas pop da actualidade, mesmo não sendo Animal Collective 1) uma banda 2) pop. “Banshee Beat” é a canção do ano. Como já disse, volto a dizer:
Feels é amor.
E pronto, é isto, durante os próximos dias ou as próximas semanas apresentarei mais uns tops relativos a concertos e a melhores cenas de sempre em concertos ou assim, ainda não decidi, mas para o ano há mais. É claro que nessa altura vou olhar para este top e rir-me, mas isso faz parte dos tops. E da vida.