sexta-feira, junho 23

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Acho que, por esta altura, a revitalização de José Cid já está em marcha e quase totalmente feita. Agora o Mestre tem dois circuitos de concertos: o seu circuito normal, em festas de aldeias, terreolas, bairros, arraiais, etc.; e o circuito mainstream. Por exemplo, o homem toca no Maxime e toda a gente paga 10 € para vê-lo, enche as duas noites, mas ninguém sabe que toca em Algés de graça para homens e mulheres de bigode uns dois meses e tal depois. O que só é bom e mostra todo o esplendor do artista e a sua variedade.
É mais ou menos por isso que não tenho escrito por aqui, mas o Mestre há-de estar sempre no meu coração (e podia estar bem mais no meu televisor não só na RTP Memória, há dois e três anos era muito mais habitual vê-lo nos programas todos).
Mas não é por isso que escrevo estas palavras.

Os Bloodbath vs. Senhor Aníbal mudaram de nome porque o outro era demasiado comprido e porque as pessoas pensavam sempre que em vez de DJ set era um concerto a sério do lendário singer/songwriter veterano do Ultramar e velho de profissão (isso e depois do fiasco da última actuação do trio, em que à última hora Senhor Aníbal surpreendou toda a gente lembrando-se de que tinha de se deitar às 9 e meia da noite, tendo um substituto aparecido em seu lugar. Esse substituto ficou e, do funk ao hip-hop, do afrobeat ao punk, passando pelo indie rock e pela electrónica chata, os Bloodbath vs. Senhor Aníbal, agora CIMENTO. (Block Party Trio) puseram todo um bar (cheio de miúdas giras) a dançar. É altura de repetir a festa, é altura de irem ainda mais miúdas giras e, por já se tratar do verão, para estas virem com menos roupa e prontas para dançar. Como disseram os Wu-Tang Clan em 1993, muito mais eloquentemente do que aquilo que os próprios CIMENTO. poderiam dizer em 2006, "BRING THE MOTHERFUCKING RUCKUS!"


7 de Julho, sexta-feira, LEFT, Santos

terça-feira, maio 9

PUBLICIDADE DESCARADA/QUINTA-FEIRA


Bloodbath vs. Senhor Aníbal

Quinta-feira, 11 de Maio
Left, Santos
Bloodbath vs. Senhor Aníbal
DJ set de yours truly e mais dois amigos

domingo, maio 7

GRANT MCLENNAN


Grant McLennan, um dos melhores escritores de canções de sempre, morreu. Era um dos dois cérebros por detrás dos Go-Betweens, e responsável por uma das minhas canções favoritas de sempre, "Cattle And Cane", uma canção perfeita. Vi-o, com os Go-Betweens, há 3 anos no Paradise Garage, e recordo esse concerto como um dos melhores que já vi em toda a minha vida. Foi no ano em que lançaram o segundo disco depois da reunião, Bright Yellow Bright Orange, reunião que só iria dar em três discos, dois deles aceitáveis, um deles menos bom, mas todos com grandes e óptimas canções. Lembro-me de mostrar aos meus colegas de escola o disco e ninguém gostar daquela música que eu achava que era pop perfeita e a coisa mais fácil do mundo de se gostar. A notícia está aqui, Grant McLennan morreu durante o sono, deixando um legado invejável de canções enormes.

domingo, abril 30

INDIELISBOA E IDIOTICES DE FIM-DE-SEMANA


Fui ao Indielisboa ver 7 filmes, de domingo a sexta, e decidi resumir o que achei deles numa só palavra para cada filme:

Play - chatoeaborrecidocomumououtrobommomento

À Flor da Pele - atamarasóéminhaamigaporqueéumainteresseira OU odeiofuteboleperceboagoraporquê

Wassup Rockers - wassup,rockers?

Um Pouco Mais Pequeno Que o Indiana - boaideia,máconcretização OU osdeadcombosalvaramofilme

Pele - elaébranca OU aindabemqueogajodoshipnóticanãocanta

Is It Really So Strange? - ohmeudeusosfãsdesmithssãodoentes OU comofazerumdocumentáriosobreumabandasemmúsica

I'm Your Man - oantonyéumaquarentona

É curioso que, para um festival com uma secção chamada IndieMusic, a melhor música tenha vindo das bandas sonoras de Pele, com três canções de JP Simões e Sérgio Costa e o música instrumental dos Hipnótica (sem voz, óptimo) e de Um Pouco Mais Pequeno Que O Indiana, especialmente através da guitarra de Tó Trips. E foi óptimo ver, à saída do Pele, JP Simões a sair por uma porta e Zé Milho dos D'ZRT por outra, quase ao mesmo tempo. É uma imagem que nunca me sairá da cabeça. E, por falar em JP Simões, o novo disco dele promete, reportagem sobre a noite de sexta-feira no Mercado em breve, bem como sobre os Kings of Convenience ontem - Erlend Øye é o meu herói pessoal.

quinta-feira, abril 20

SLANG MAGAZINE E ALGUMAS PARVOÍCES


Fui avisado de que este blog era mencionado ("listado" é melhor) num artigo sobre blogs portugueses na nova Slang Magazine. O artigo era de um tal Boldfinger, um jornalista misterioso, que também escreveu uma excelente reportagem sobre três diggas 'tugas, nada mais nada menos do que os três patrões da Loop. Toda a gente sabe que é sempre uma delícia lê-los ou ouvi-los falar, pela imensa sabedoria que têm (aliás, em jeito de gozo o Buddha uma vez disse-me que lhe chamavam Buddha pela imensa sabedoria que jorra do seu ser, e isso não é propriamente mentira) e pela eloquência deles. Os maiores, como dá para comprovar, no caso de dois deles, no Hit Da Breakz e, no caso de outro deles, no disco e nos concertos como Rocky Marsiano. O resto da revista é também bom, apesar de só ter folheado. Bom papel, boas fotografias (excelentes as do skater) e apenas 3 € de preço de capa. Revista porreira.
Ouvi um tema do novo disco dos X-Wife, uma banda cujo ódio que me causa adoro exagerar, e percebi aquilo que há muito tempo já suspeitava. Não é que eles sejam maus, são mais aborrecidos do que maus. O som de teclado era absolutamente horrível, para ouvir teclados tão foleiros ouvia crunk ou algo ainda mais manhoso (e o Lil' Jon é bem mais tolerável que o Kitten), havia uma ou outra guitarra catita lá no meio e o Kitten (eu sei que ele não se chama assim na banda) é extremamente versátil como vocalista: arranja sempre modos novos de nos irritar. Agora parece já não gritar em falsete, tenta cantar com o falsete mais esforçado de sempre. Mas, ao invés de soar delicioso como o falsete pouco polido de um Pharrell Williams ou assim, soa irritante como sempre. Mas, como já disse, pelo menos não está a gritar.
O caso Nick Sylvester também parece fazer parte de um declínio na qualidade do Village Voice. Aproximam-se tempos maus, Chuck Eddy foi despedido e Robert Christgau, o mestre, o que quer que lhe queiram chamar, está para sair. É tudo culpa dos novos donos do jornal que parecem querer tentar fazer daquilo algo mais convencional ou assim. Otários.

domingo, abril 16

NICK SYLVESTER E O PIOR FILME DE TODO O SEMPRE


Ainda há umas semanas estava eu triste por nunca mais poder ler o Nick Sylvester. Foi despedido do Village Voice, esqueceram a suspensão, mas reanimou o blog antigo dele e criou um novo. E fez algo de génio, a única coisa que podia fazer no seu regresso. Explicou tudo o que se passou no Village Voice através de uma entrevista que o rapper The Game lhe fazia. Está aqui e comprova o puro génio de Sylvester, totalmente cru e totalmente genuíno. O maior. E, por falar no maior, o pior filme de todo o sempre chama-se Hostel, as pessoas só vão vê-lo porque diz "Tarantino" no cartaz - eu sei, eu só fui vê-lo por isso - e é mesmo, mesmo mau. Para um filme que supostamente provocou vários desmaios e necessidade de assistência médica no público na Islândia, o filme não mete qualquer tipo de medo. Porque qualquer parte que pudesse ser entendida como assustadora é apaziguada pelo ridículo da história e das personagens e dos actores - quase todos horríveis, péssimos e merecidamente desconhecidos - e acaba por criar gargalhadas. A assistência médica aos tipos na Islândia só pode ser explicada de uma forma: amigos levaram amigos a ver o filme e muitas amizades acabaram ali em cenas de pancadaria. Só pode ser. A única vez que tive medo durante o filme foi quando um telemóvel foi roubado. Isto, para um filme em que ferros de soldar furam olhos e berbequins furam pessoas, é absolutamente hilariante.

segunda-feira, abril 3

COKE MACHINE GLOW


Aparentemente, a Coke Machine Glow teve hoje a sua última edição. É uma tristeza, era uma boa webzine. Pelo menos há um bom texto sobre o último de Loose Fur e as edições anteriores. Se este final for a sério, é uma pena, já que, a par da Stylus, era a webzine com mais pinta de sempre. E também tinha bons textos.

FIM-DE-SEMANA MUSICAL


Como é óbvio, este blog ainda se chama Clube de Fãs do José Cid, pelo que não faltei ao espectáculo de ontem no Maxime. Não tinha dito nada sobre isso porque, sinceramente, não me apeteceu. O texto está escrito e deve ser publicado ainda hoje no Bodyspace (depende de factores exteriores à minha pessoa). Mas, antes, na sexta e no sábado fui à Festa do Jazz, vi o Bernardo Sassetti com o Carlos Barretto e o Alexandre Frazão, óptimo.
Logo a seguir fui à ZDB à cena que havia lá, com um japonês que fazia música electrónica minimal com elásticos e estava muito preocupado com o facto de ser meia-noite e ele normalmente se deitar às 7. Depois, iff+Travassos+Manuel Mota e um casal nos vídeos. Cena improv chata, não fossem os iff meus amigos e não fosse a guitarra de Manuel Mota uma coisa belíssima, aqui em muitos jogos rítmicos, com gira-discos, laptop, tape-delays e outras brincadeiras por trás. Logo depois as cadeiras foram retiradas da sala e Duracell, um tipo francês, montou a sua bateria e o seu sistema de som, que envolvia P.A. próprio, bem ao estilo Lightning Bolt, um laptop e triggers MIDI para disparar melodias. Estava em cima do tapete, a meio da sala, fora do palco, mais uma vez remetendo para os Lightning Bolt. A música, essa, era feita de versões de temas de jogos de computador antigos, do Atari e do Amiga ou assim, com o baterista mais rápido do Oeste a disparar cada nota com cada batimento. Brutal, faria qualquer fã de Lightning Bolt e The Advantage gritar pela mãe. E a sala, essa, estava quase vazia, no máximo 30 pessoas. É inexplicável.
No dia seguinte, TGB e o Sexteto de Mário Franco com David Binney. TGB é óptimo, Sérgio Carolino, Mário Delgado e Alexandre Frazão são óptimos músicos, do funk ao country, do jazz ao rock, não há razão de queixa, com projecções por detrás e tal. O Sexteto de Mário Franco acabou por ser um bocado uma seca, com o Fender Rhodes de João Gomes (Spaceboys, Cool Hipnoise) a ouvir-se muito mal, mas com Binney em grande. Depois, é sempre bonito a Festa do Jazz, música negra pobre norte-americana ser feita quase exclusivamente por brancos de classe média alta portuguesa. Mas deve ser de mim, não quero insinuar nada.
E, depois, chegamos à segunda noite de José Cid no Maxime. Estava lá o Fernando Cunha dos Delfins (o Steven Seagal português), com a sua bóina da Kangol e a falar com o Manuel João Vieira, muito amigalhaços, mesmo que uma das promessas eleitorais da campanha de 2001 de Vieira fosse "proibir a edição do novo disco dos Delfins". Partiu-me o coração.

EDIT: Está aqui. Por favor não me acusem de ignorar o artista.

segunda-feira, março 20

MINI-HYPES INDIE DE '06


Os Man Man lembram-me os Oingo Boingo e os Mr. Bungle, só que em versão indie e francamente menos interessantes. "Iá, somos bué loucos, somos piratas ou então somos bêbedos num cabaret, boémios loucos! Loucos!" Não, obrigado. Não interessam a ninguém e não percebo o que tem sido escrito sobre eles. Pode ser que venha a engolir estas palavras. Isso acontece várias vezes (como aconteceu com o Life Pursuit dos Belle & Sebastian, do qual fiquei a gostar um pouco antes de o ter comprado - não, não foi pelas raparigas escocesas que aparecem na capa e no excelente booklet), mas, por agora, é isto que digo. Os Tapes 'n Tapes não me lembram assim tanto os Pavement, só mesmo às vezes. São bem porreiros e ao vivo ainda devem ser melhores, a julgar pelas imagens que apareceram na reportagem do NYTimes sobre o festival South By Southwest em Austin. Em termos de indie-conservadores, estes e os Clap Your Hands Say Yeah ganham em matéria de discos lançados no final de 2005, se bem que os Tapes 'n Tapes sejam um pouco mais variados e menos bons em termos de escrita de canções. E, por falar nisso, o novo de Loose Fur é mesmo bom, não fiem no Mário Lopes do Y e na Wire, que diz aquilo só vai entendido em 2009 ou lá o que é.

sexta-feira, março 10

NICK SYLVESTER


Nunca nestas linhas escondi a admiração que tenho por Nick Sylvester, um dos escribas do Village Voice e um antigo escriba da Pitchfork (despedido este mês por razões que apontarei). O seu estilo único é uma inspiração para qualquer pessoa, encontrando um equilíbrio saudável entre boa escrita, informação, cultura musical, humor e palavrões invejável. O seu blog, Riff Raff, está ali ao lado, nos links deste blog, listado como algo que o Clube de Fãs do José Cid aprova (e, anteriormente, estava como uma das "melhores merdas do mundo"). Das entrevistas até às críticas, dos textos sobre a família (levar a irmã menor dele a um concerto dos New Pornographers, num texto brutal, ou a pôr a mãe a escrever sobre uma lista de canções de S. Valentim) às reportagens, e da Pitchfork ao Village Voice, sempre valeu a pena ler o que ele tinha para dizer. Acontece que, após um espectáculo deprimente (que teria piada se não tivesse acontecido o que veio a acontecer há bem pouco tempo) nos Plug Awards, como descrito pelo Brooklyn Vegan (onde descobrimos, entre outras coisas, que a Amanda Petrusich da Pitchfork é gira e os TV on the Radio são a banda com mais pinta de sempre), em que o senhor Sylvester se limitou a ler uma reportagem da New Yorker, o tipo foi agora apanhado a inventar citações e histórias numa reportagem do Village Voice. A história em questão, que não tem grande interesse, foi retirada do site da publicação (da versão impressa é um bocado mais difícil, obviamente) quando se descobriu. Através da magia da cache do Google, podemos ainda ler a reportagem (se este link não der, é só procurar "Do You Wanna Kiss Me?", que provavelmente será o primeiro resultado, e tocar em Cached Version). O editor confrontou Nick Sylvester com as acusações e, segundo rumores, este desmaiou. O editor demitiu-se, Sylvester foi suspenso e publicou um pedido de desculpas. O que está aqui em questão é uma extrema irreponsabilidade jornalística, mas também uma perda de sanidade mental da parte do Sylvester. Por um lado, é uma pena perder-se um escriba destes, por outro, o que ele fez é indesculpável (mesmo que tenha sido só suspenso). Por outro, ainda, foi nas mesmas páginas que muito provavelmente o mesmo aconteceu ao longo dos anos, ocasionalmente, com Lester Bangs. Mesmo que supostamente as entrevistas ao Lou Reed (que acabavam sempre em conversas sobre drogas) fossem verdadeiras (e muitas delas nem eram do jornal, eram de outras publicações), há muitos textos dele que referem acontecimentos que provavelmente nunca aconteceram, fruto da sua imensa imaginação e/ou das drogas. Aliás, Nick Sylvester é muito provavelmente um dos melhores herdeiros de Bangs que existe hoje em dia, só que sem a parte das drogas. Pelo menos não tão evidente, sei lá se ele se droga ou não. Espero que ele recupere a sanidade mental, que volte a escrever como tem escrito ao longo destes anos, ou outra coisa qualquer. É uma pena. Mas também pode gerar uma discussão diferente, sobre o que é que o levou a mentir. Muito provavelmente foi a preguiça e/ou a falta de tempo, aliadas ao facto de o jornal já não ter um departamento para verificar as fontes. Também pode ter sido terem-no posto a escrever sobre outra coisa que não música, já que escrever sobre música é aquilo que ele faz melhor.

terça-feira, março 7

ALI FARKA TOURÉ


Estava mesmo frio naquela noite de verão. Obrigadíssimo, Ali Farka, pelo óptimo concerto que vi teu. E por saber que também gostaste. Descansa em paz.

segunda-feira, março 6

OS ÓSCARES


Jon Stewart com trela, mas a deixar escapar algumas das suas qualidades. Bom, não é todos os anos que ouvimos um apresentador de um espectáculo daquela envergadura dizer "I'm a loser", e a contagem dos óscares (1 para os Three 6 Mafia, 0 para o Martin Scorsese) estava soberba. Apesar de não ter visto o Capote, o Philip Seymour Hoffman é o melhor actor secundário da actualidade há demasiados anos para não ainda não ter sido oscarizado. Mas também...por que filme haviam de o oscarizar como secundário? Ele faz mil filmes por dia, estariam à espera deste?

quinta-feira, fevereiro 23

OS ÓSCARES


A primeira vez que vi uma cerimónia de entrega dos Óscares do princípio ao fim foi no ano passado. Até a registei aqui neste blog. Por isso, não sou do tempo em que o Billy Crystal apresentava aquilo. Ou qualquer outra pessoa. Nem sequer da Whoopi Goldberg. Se bem que não ser do tempo desta última seja algo que é considerado por mim uma bênção. A quase uma semana dos Óscares, a questão começa-se a formar na minha cabeça. Será que Jon Stewart irá fazer algo de realmente arrojado naquela noite? Vejamos por partes: ele não tem nada a perder, já deve ter uns trocos guardados, não deve ter quaisquer problemas em fazê-lo, não ia propriamente perder a sua audiência do Daily Show nem nada que se pareça...falo de uma coisa realmente em grande, não de uma piada qualquer contra o Bush, mas algo como o que fez no Crossfire que levou ao cancelamento do programa (ou mesmo algo como aquilo que Kanye West fez do "George Bush doesn't care about black people"). Um soco no estômago do próprio sítio onde está. Conform to Deform, como diriam os Cabaret Voltaire (dos quais nunca gostei). Aí é que Jon Stewart, fora de quaisquer brincadeiras ou algo planeado previamente, se mostra como um génio. Não só do humor. Mas, a julgar por aquilo que li num artigo do New York Times anteontem (já não deve dar para ler online, por isso não há link para lá), Stewart é visto como alguém que, de certa forma, se vendeu. Alguém que era contra o estabelecimento e depois passou a fazer parte desse próprio estabelecimento. Mas não é bem assim. Stewart nunca foi realmente contra o estabelecimento, só contra aquilo que acha que não está bem, basta ver-se o Daily Show meia-dúzia de vezes para perceber isso. Mas a questão continua: será que Jon Stewart se limitará a dizer dúzia e meia de piadas sobre os filmes, sobre o Bush, mostrando uma versão amestrada daquilo que realmente é, ou será que terá a coragem para fazer algo mais? Não é como se a sua carreira em Hollywood fosse grande coisa, tendo participado em mega-êxitos reconhecidos pela crítica (ironia) como Death to Smoochy ou, o meu favorito, Big Daddy, um monumento em película, com o grande Adam Sandler (a ironia acaba aqui). Era bom, era. Pelo menos daria vitalidade a uma instituição que está debilitada há vários anos. Mas não sei. Será que tenho fé no Jon Stewart?

quarta-feira, fevereiro 15

LINKIN PARK


Um dos piores contributos para a música do "movimento" nu-metal chama-se Linkin Park. Esta banda, uma das piores de todo o sempre, é horrível. Qualquer pessoa com bom gosto e/ou um par de ouvidos percebe logo que não vale a pena sequer tentar percebê-los. Qualquer pessoa com ouvidos foge a sete pés. Certo? Não. Erradíssimo. E é esse o problema. Não bastava, claro, aquela remistura horrível para "Enjoy the Silence" dos Depeche Mode (era só de um deles, mas não se notava a ausência da banda, porque há algo que tenho de reconhecer aos Linkin Park: têm um som próprio - horrível, nojento, desprezível, mas próprio - que se topa a milhas), nem o terem enganado o Prince Paul e o Dan the Automator - de todas as pessoas, porque é que estes tiveram de ser atingidos? - e terem aparecido no White People de Handsome Boy Modeling School (que tinha, sim, a melhor canção de sempre, mas chamava-se "I've Been Thinking" e era com Chan Marshall, ou, se quiserem, Cat Power), assim estragando o disco, é que nem devem ter dado grandes vendas àquilo, já que os (as) fãs dos Linkin Park têm todas menos de 13 anos, ou mesmo terem feito um beat horrível, desprezível e nojento para os Jurassic 5 (vi na TV e a minha reacção foi: "Isto é J5! Mas o beat é horrível!", depois apareceu o nome e percebi logo), agora existe um sideproject de um deles, que é tipo Flipsyde (uma das piores bandas que já ouvi na vida), Linkin Park sem o metal, nu-metal sem o metal. É das piores coisas de sempre. E o problema é que os "rapazes" conseguiram o apoio de duas figuras importantes: Common e Ghostface. Sim, o Common já tinha convidado o rapazinho dos P.O.D. para o refrão daquele tema do Electric Circus (nem era assim tão mau, apenas fraco, até percebermos que era o rapazinho dos P.O.D.). Mas nunca tinha feito isto. Aparece na televisão ao lado daquele parolo dos Linkin Park que grita ou assim. E o pior, o mais assustador de tudo, é que sempre que penso nestes idiotas esqueço-me de um dos seus maiores crimes. Sim, estou a falar do mega-êxito planetário que toda a gente do mundo deveria esquecer. Sim, todas as cópias desse disco deviam ser queimadas, e a memória dele devia também ser apagada dos cérebros das pessoas. O que vale é que o disco trata de se apagar da memória das pessoas a ele próprio, de tão mau que é. Falo, é claro, do mash-up fora do tempo, uma das piores coisas que já ouvi na vida, de Collision Course, com o Jay-Z. Todos sabemos que o Jigga não precisa de mais dinheiro, ele até se tinha reformado. Mas pode ser que ele goste de Linkin Park. Pode ser que toda esta gente outrora respeitável goste de Linkin Park. Mas eu gostava de acreditar que não. Que não há quem goste de Linkin Park e tenha um cérebro e tenha mais de 13 anos. Quem sabe? Se calhar os tipos drogaram toda a gente. Porque é que ninguém acorda? Dos "gritos de ajuda" adolescentes - não encontrarão, certamente, durante o vosso percurso, menor fã de Nine Inch Nails do que eu, mas até o Trent Reznor, com os seus 40 e tal anos, é mais convincente a fazê-lo (e não menciono o Morrissey porque estes seres não podem aparecer lado-a-lado com ele, e ele fá-lo com uma pinta que ninguém tem, com um savoir-faire que ninguém, mesmo tendo a sua adolescência acabado há mais de um quarto de século) - aos teclados pindéricos, os Linkin Park serão sempre uma das piores bandas de sempre. É preciso é que mais ninguém se deixe contagiar pelos Bon Jovi da actualidade (o Jon Bon Jovi a sério gosta de Killers e de Bravery e isso é mais do que suficiente para nem sequer dar uma chance a essas duas bandas).

terça-feira, fevereiro 14

ARCTIC MONKEYS


Segundo o Cotonete, a banda que mais histeria causa em terras de Sua Majestade hoje em dia estará no Garage em Maio. A ser verdade, será a primeira vez (ou assim) que uma banda fora do underground chega a Portugal vagamente ao mesmo tempo que rebenta lá fora. Não me lixem com a cena dos Arcade Fire, foi quase um ano depois, porra (e os Animal Collective são muito, mas muito mais pequenos, daí ter mencionado o underground, só para falar de exemplos recentes). E mesmo assim, os Arctic Monkeys são mais mainstream. É pena é que, entre tantos riffs interessantes (há uns cinco ou seis bons em cada "canção") e letras boas (mas que apelam mais à working class inglesa do que a um puto de 19 anos - acho até que é a idade de alguns deles, sei lá - de classe média 'tuga), os Arctic Monkeys não tenham estofo para justificar a histeria colectiva. O público e a crítica renderam-se, mas a verdade é que o interesse dos tipos não está na música que fazem. A música é acessória. Aqui estão em causa as condições que os elevaram ao estatuto que hoje têm. As demos postas na internet criaram o hype que levou à histeria colectiva, têm o disco de estreia britânico mais cobiçado desde o primeiro dos Oasis, sei lá mais o quê. Este factor é muito importante, já se passou a outra escala com os infinitamente melhores (e apenas um pouco menos derivativos) Clap Your Hands Say Yeah! e até já se passou em Portugal (a uma escala muito, mas muito menos pequena, que serve para encher o Bar Novo da Faculdade de Letras e o Lounge, com os Linda Martini, e até com exemplos nojentos como os Cebola Mol e o Zé Cabra, mas isso, obviamente, não conta). Isso e este novo factor, de aparecerem cá quase em simultâneo. Resta saber como estará o Garage.

THE WEATHERMAN


Saiu ontem o disco que, a haver justiça neste cantinho do mundo, será um sucesso em 2006. Cruisin' Alaska, de Weatherman. Para confirmar aqui. Que eu saiba, o Bodyspace foi pioneiro a falar do rapaz, tanto aqui como aqui, daí alguns dos colaboradores do site terem direito a agradecimento no disco. Eu não, por isso prova que tenho a isenção suficiente para escrever sobre ele (ou não, escrevo de vez em quando press releases para a editora-irmã da mono¨cromática, a netlabel Test Tube. Achei que era melhor esclarecer já isto, ou não. 1) o disco é bom; 2) o disco é barato; 3) seria uma injustiça falhar. Mas falhará, certamente, ou não sei. Estas coisas não dão para prever.

sábado, fevereiro 11

JAY DEE


James Yancey, o nome verdadeiro tanto de Jay Dee e J. Dilla (produtor/rapper) morreu ontem aos 32 anos. Não me vou alongar, não vou dizer nada de especial sobre ele, cujas produções me apraziam bastante (basta lembrar-me do Be do Common, do ano passado, que tinha duas produções dele e é, basicamente, um disco perfeito, do início ao fim, ou do Beats, Rhymes and Life dos A Tribe Called Quest, que comprei esta semana e nunca tinha ouvido antes, mesmo que não goste do projecto com o Madlib, Jaylib), acho que as pessoas que lhe eram próximas já fizeram isso muito melhor do que eu. Do que já ouvi de Donuts, o primeiro dos discos que Jay Dee lançou este ano (ainda há mais um e ficou outro incompleto), foi-se um artista ainda com muito para dar ao mundo.

R.I.P. 1974-2006

Jay Dee

segunda-feira, fevereiro 6

FALSOS ÍDOLOS


Os falsos ídolos deste agnóstico, agora, são John Darnielle (Mountain Goats) e Duncan Sumpner (Songs of Green Pheasant). O primeiro pela forma como diz "Dance Music" sempre de formas diferentes, sem preocupações com a melodia, em "Dance Music" de The Sunset Tree, belíssimo, se ultrapassarmos o problema da voz (que demora a entrar, mas entra), e como diz primeiro "seventeen years young" e noutra canção diz "seventeen years old", esse jogo todo, e pelo blog dele, a melhor merda de sempre (a sério, quem é que se lembra de escrever cenas sobre começar a gostar de Jesu - não gosto de Jesu - num dia de chuva?) e o outro por, sozinho, ser os Simon & Garfunkel do novo milénio (isto também era, mas muito mais hi-fi) em lo-fi brutal, uma força das circunstâncias que acaba por ser uma opção estética óptima, com canções enormes e um excelente disco. E pensar que os ignorei totalmente - por ainda não ter ouvido - na lista de melhores do ano faz com que eu tenha sempre razão quando digo que são uma treta (haverá maior lugar comum do que dizer que as listas de melhores do ano são uma treta?). E acho que o Matt Berninger dos National também é um falso ídolo, se bem que não me tenha parecido assim tanto em Paredes de Coura. Mas é um gosto adquirido que eu já tinha adquirido mas não assim tanto. E, ainda por cima, faz batota quando joga à bola contra os Clap Your Hands Say Yeah (mais gosto adquirido que eu já tinha adquirido mas não assim tanto, ainda menos que os National, cujo Alligator apareceu na minha tal lista maldita).

MAIOR PARVOÍCE DE HOJE


O texto sobre Damo Suzuki's Network na Pitchfork, que ignora o facto de a "banda" ser um colectivo altamente variável, do qual só faz parte o próprio Damo Suzuki, que anda de terra em terra a encontrar colaboradores com quem improvisa.

DOPO+Veados com Fome+Lobster @ ZDB - opinião pouco fundamentada


DOPO - três vírgula cinco polegares para cima em cinco (mais zero vírgula cinco polegares para cima por causa do bolo feito e distribuído no final pela namorada de um dos elementos, 3,5 por causa do pouco à vontade que decerto se dissipará com o tempo, só é preciso relaxar e soltar a malta - era o primeiro concerto do colectivo - e por causa da bateria, que talvez não resulte assim tão bem - e estava um pouco alta - dentro do contexto - no EP só há num tema -, talvez fiquem melhor com percussões diversas tocadas por todos os membros - faltava um deles e sem entrar na cena frique e hippie dos djembés - para abrilhantar a folk de brincar do colectivo)

Veados com Fome - dois polegares para cima em cinco (* inserir piada com o nome da banda, do que vi não gostei muito, som demasiado alto com tudo muito inconsequente, lembrei-me dos Deerhoof muitas vezes, mas Deerhoof muito mais fraco, demasiados pregos, passei metade do tempo lá em baixo sentado na escada e aproveitei a oportunidade de experimentar na primeira pessoa a famosa Buddha Machine - tem de ser o link da Pitchfork, é o mais explicativo dos primeiros que aparecem no Google, no site oficial não há grande explicação - que estava nas mãos do porteiro, mesmo que apenas por momentos, porque aquilo deve ser viciante e tal, 9 loops diferentes e cenas que servem um propósito ambiental, deve ser estimulante durante os primeiros 20 minutos, depois deve começar a fartar, ou então deve ser bom para dormir, é um brinquedo simpático de fabrico japonês, ajudado pela enorme manobra que não pode ser comprada - o Brian Eno comprou uma grande quantidade delas)

Lobster - quatro polegares para cima em cinco (o baterista parecia dos Melvins - que máquina, meu, e a t-shirt de Orchid, porra, há que tempos que não me lembrava deles, apesar de nunca ter sido fã -, os Lightning Bolt só apareceram uma ou duas vezes - a comparação é descabida, só porque destroem e são um duo -, os Explosions in the Sky apareceram nas partes mais calmas, sempre com poder e óptimo, não ouvi o EP da Merzbau mas cheira-me que não me interessa ouvi-los em disco, aproveitarei sempre que puder para vê-los ao vivo)

A opinião não é imparcial, eu estava na guestlist dos DOPO. Ah, e eu odeio notas.

quarta-feira, fevereiro 1


Já saíram os resultados da 33ª (ou 32ª) Pazz & Jop Poll. Pelo segundo ano consecutivo, Kanye West é o vencedor. Boas estão as listas do Tom Breihan, do Nick Sylvester, do Simon Reynolds, do Sasha Frere-Jones, do Kelefa Sanneh e do próprio Robert Christgau (que este ano, ao contrário do ano passado, não tem nenhuma vergonha como o disco da Courtney Love). E continuo sem perceber os Hold Steady...mas é fixe perceber, por falar nisso, nos posts-diário do Jorge Mourinha (ex-Blitz, Y) em São Francisco, que se calhar São Francisco e Lisboa não são cidades assim tão diferentes. E muito mais. Como disse o Jorge Manuel Lopes, alguém devia pô-lo a escrever livros.

sexta-feira, janeiro 27

UM DIA A CAIXA VEM ABAIXO


Hoje e amanhã, na Caixa Económica Operária, há o festival Um Dia a Caixa Vem Abaixo. Hoje: Lemur, Ölga e Bypass. Amanhã: Loosers, CAVEIRA e Linda Martini. Entrevista aos Linda Martini no sítio do costume, feita por mim, muito pouco editada e enorme (passem à frente a maior parte).

quarta-feira, janeiro 25

IDEIA PARVA #1


E se alguém criasse uma boys band de canto lírico de tributo aos Beastie Boys? Podiam chamar aos rapazes, cinco, todos eles bonitos, sendo um deles dispensável mas com alguma personalidade para depois poder sair e com um passado nas bandas de canto lírico de tributo aos Minor Threat, Ill Divo. O que acham? Outra ideia (ideia parva #2): criar uma banda de canto lírico de tributo aos Devo chamada Il Devo com videoclips inovadores?

terça-feira, janeiro 24

MELHOR NOTÍCIA DO DIA


É a melhor notícia do dia, e o Tom Breihan explica-a bem. Jay-Z convidou Nas para a Def Jam. Agora que o beef deles acabou, supostamente não devia ficar surpreendido com esta notícia. Mas fico. O beef deles era bom, não era violento, era uma batalha das mentes, como ambos diziam, e produziu muitas coisas boas. Agora vamos ver como é que isto funciona, estando o Nas cada vez mais perto de um professor de rua, já não tem produções à altura das suas rimas há que tempos, pode ser que, com a Def Jam, apareçam óptimos produtores que consigam dar a volta à coisa. Porque, ao contrário de muita gente, acho que o Nas professor de rua não é uma coisa má, mas antes uma coisa boa. Como diria o Common, no seu "I Used to Love H.E.R.", "she was teachin' me by not preachin' to me but speakin' to me". É isso que o Nas anda a fazer, mas samplar Beethoven (e eu até gosto do "I Can", mais propriamente pela letra brutal do que pela produção) ou o Sting não dá. É que é essa a cena: o Jay-Z tinha razão. Nas é Illmatic e o resto é conversa. Mas liricamente anda a melhorar e muito. Chama-se "evolução", é uma coisa que também anda a acontecer com o Jay-Z há algum tempo (as rimas no "Moment of Clarity" do Black Album em que ele diz que seria como o Talib Kweli ou o Common se isso desse dinheiro), ainda para mais ambos têm ligações ao Kanye West. Por um lado, assim, é bom ver duas pessoas cheias de talento lado-a-lado, mas por outro, não sei se isso lhes retirará muitos dos seus pontos positivos (como diria Jay-Z no seu Unplugged, é preciso manter o hip-hop na sua essência, a battle). É que agora os beefs andam a regredir, com o Cam'ron numas rimas manhosas contra o Jay-Z e no 50 Cent (que é um parolo de todo o tamanho e só tem uma ou duas malhas).

domingo, janeiro 22

MORTE AO ROCK'N'ROLL


Ontem, na quinta (acho que é quinta, tinha ido a outras duas e só me lembro de ter havido mais duas) Kid City, desta feita no Mercado, partiram-me os óculos. Foda-se, que parvoíce. Há gente mesmo, mesmo estúpida. Lá porque é a cidade "onde todos os putos são reis" e essas cenas assim, não é preciso haver uma regressão até aos tempos do jardim-escola, com gajos altamente idiotas que mais mereciam um par de estalos. Ainda por cima o Luís ainda caiu ao chão e ficou todo fodido. Que otários. Só vi, por causa disso, os Vicious Five (pela milésima vez, mas vale sempre a pena, até a meio, quando me partem o raio dos óculos) e não fiquei para os d3ö nem para a ver o dj set da maior rock'n'roll star 'tuga, o Paulo Furtado. E gostava de saber porque é que o remix do Max Tundra para o "Do You Want To?" dos Franz Ferdinand, tema simpático, mas nada de especial, lá para o meio dá uma de "Jump" dos Van Halen? Era mesmo preciso o Michael Jackson-em-ácidos (comparação forçada e sem quaisquer piadas, vá lá, o julgamento já passou há que tempos, porra) fazer isso?

segunda-feira, janeiro 16

LEITURAS OBRIGATÓRIAS


A entrevista do grande Jorge Manuel Lopes ao ainda maior Simon Reynolds (porque leva um avanço de alguns anos e porque domina o eixo Londres-Nova Iorque por razões geográficas), publicada originalmente no Blitz em 2002. Pela visão do Reynolds não só da música como também da imprensa musical, pelas diferenças entre a imprensa musical americana e inglesa e por muito mais. Reynolds tinha acabado de começar a trabalhar num certo livrinho sobre o pós-punk e o grime ainda não tinha aparecido. Já em 2005, outro grande português, José Marmeleira, entrevistou Reynolds para a Número. São óptimas entrevistas para ler lado a lado, o Reynolds é sempre interessante e tem opiniões muito pertinentes sobre muita coisa (e tal).

segunda-feira, janeiro 9

PREFUSE 73


Pelos vistos, Scott Herren pôs fim a Prefuse 73. Três discos do caraças (o último - Surrounded By Silence - já revisão da matéria dada mas ainda do caraças, com temas brutais) e imensas colaborações (há um single muito bom com o Mos Def, mas a remistura do RJD2 abafa-o) acabam. Dos outros projectos do senhor, só de Savath+Savalas é que gosto, especialmente da primeira fase pós-rock, mas também da segunda singer/songwriter da tipa espanhola. Piano Overlord e Delarosa & Asora passam-me ao lado.

sexta-feira, janeiro 6

DESTROYER - RUBIES


Sei lá. Há uns tempos acho que cheguei à conclusão de que o Dan Bejar, que lança música sob o nome Destroyer (não, não é uma banda de nu-metal nórdica) e jura a pés juntos que não é membro dos New Pornographers (mas é, mas é), é dos meus escritores de canções favoritos dos últimos tempos. Não sei. Talvez seja da barba e do cabelo (o gajo tem imensa pinta, mesmo). Talvez seja da forma como insere em todo o lado referências à cultura pop de uma forma óptima. Talvez seja da forma como se reinventa constantemente musicalmente. Mas mantém-se sempre igual em termos das letras. Continua a citar este, a falar do Werner Herzog, olha, está a citar Clash, agora é não-sei-quê, ah, disse o nome dos Make-Up, etc. E continua, também, a citar-se a ele próprio. Nomes de canções, nomes de discos, outras frases que já usou, tudo. E a voz também continua sempre a mesma, o homem canta como se fosse um declamador Shakespeariano, mas não como faz um, sei lá, David Sylvian ou assim. É diferente. É Dan Bejar in a nutshell. Isso e os "lalalas". E Rubies, o sucessor de Your Blues (aquele disco que era feito com poucas guitarras e imensos teclados MIDI, tipo Yes sem o virtuosismo ou coisa-que-o-valha), tem muitos "lalalas". Aliás, acho que nenhum disco de Destroyer (nunca ouvi todos, devo confessar) os tem como Rubies tem. Talvez This Night. Mas é uma prática que deve ser mantida...em Rubies parece que Dan Bejar quis fazer dos Destroyer uma banda. Assim, fixou o line-up dos músicos que tocam com ele (em Fevereiro ou Março do ano passado esteve cá na ZDB com os Frog Eyes como banda de suporte e como banda dele, até lançaram depois o Notorious Lightning and other songs, um EP). Há pormenores kitsch aqui e ali (o piano nem sempre prima pelo bom gosto, mas sempre foi assim), há muitas guitarras, solos, e tudo parece ora disperso como em This Night, ora juntinho. Ainda vou na segunda audição, não tenho nada a adicionar. Mas parece ser o primeiro grande disco de 2006.

quinta-feira, janeiro 5

PARVOÍCES


Hoje numa aula - ei, não me julguem, em frente estavam umas tipas a jogar às cartas - meti-me a ler um daqueles artigos do Independent sobre o ano de 2005, algo como um resumo musical. Tinha-o impresso quando saiu, mas ainda não tinha lido. Era este, um artigo fraco com coisas francamente parvas. A começar por mencionar que I Am A Bird Now é o primeiro disco do Antony (não é), e a acabar em meter Sigur Rós e Arcade Fire no mesmo saco, arranjando uma descrição ridícula para a música que fazem: "psychedelic prog-pop". O que é que se passa, foda-se? Depois ao meu lado estava uma cópia da Visão, abri aquilo e havia uma entrevista ao Isaac Hayes, em que o senhor jornalista perpetuava aquela estupidez pegada de escrever "sampler" em vez de "sample" (pela nonagésima vez, foda-se, "sampler" é o instrumento). Isso, aliado aos três pseudo-mitras que ontem se riam no eléctrico por estar lá escrito "Ticket Vending Machine", armando-se em conhecedores da língua inglesa. Chegaram até a dizer: "Vending? Hahaha, parece inglês do Zezé Camarinha!" Não há ninguém que erradique esta espécie (toda a espécie mitra) da face da Terra?

segunda-feira, janeiro 2

2006


Ah, 2006 chegou. Foi bonito (ou talvez não) ver o dia nascer indo do Rossio até ao Cais do Sodré (ou não) e apanhando um autocarro (ou não) até chegar meu subúrbio-dentro-da-cidade (ou não). Props para todos os meus peeps (das minhas diferentes posses) com os quais estive e com os quais não estive na passagem de ano. Word. 2006 chegou. E chegou precisamente a tempo de criar um certo arrependimento por causa da lista de fim de ano. É típico, faz parte da vida, não há nada a fazer. Basicamente, acontece sempre. Inevitável. É pura e simplesmente inevitável. Mas pronto. Desta feita são dois discos (já andava a "namorar" a ideia do arrependimento de não terem aparecido na lista há uns dias).

Songs of Green Pheasant
Songs of Green Pheasant

É um tipo inglês, que mandou uma demo à FatCat, mas esqueceu-se de dizer quem era. A FatCat passou-se e andou que tempos à procura dele. A ambiência é toda ela quase medieval, mas não no sentido que a malta do rock progressivo (King Crimson do primeiro disco à cabeça) lhe dava. Algures no site da FatCat falam de Simon & Garfunkel. E têm toda a razão. Foi gravado num gravador de quatro-pistas, algures numa cozinha em Sheffield, mas podia ter sido gravado no meio da floresta. Calmo, guitarras bonitas, ambiente lo-fi, voz bonita e canções belíssimas.

Jack Rose - Kensington Blues
Jack Rose - Kensington Blues

Fingerpickin' do caraças, temas brutais, desbundas na guitarra, Fahey reencarnado. Não é preciso dizer mais, pois não?

Bom 2006. Word.

sábado, dezembro 24

PATTI SMITH


Há bocado vi a Patti Smith no Conan O'Brien...raios, ela está igualzinha ao Joey Ramone.

segunda-feira, dezembro 19

MELHORES #2


Memórias musicais de 2005:

1. A rapariga que estava sentada numa das colunas da esquerda durante o Jamie Lidell na Festa da Oxigénio no Sabotage Club;

2. O casal com t-shirts que diziam "Greetings from Michigan, the great lake state" e "Come on, feel the Illinoise!" (dois discos de Sufjan Stevens) em Paredes de Coura;

3. O momento em que a electricidade faltou no princípio dos Linda Martini no não-concerto conjunto de Linda Martini e Vicious Five na FLUL; Os ganchinhos no cabelo da baixista dos Linda Martini;

4. A Joanna Newsom no concerto de Smog no Clube Lua;

5. A viagem de Cacilheiro e a caminhada até ao barracão no Ginjal para ver os Animal Collective;

6. O momento em que "Grass" se transformou em "Purple Bottle" no barracão;

7. Qualquer momento ao som de "Banshee Beat" dos mesmos Animal Collective;

8. Vir dos Vicious Five no Mercado na noite de Halloween e ouvir no carro do Ilo a compilação Dynamite with a Laserbeam: Queen as heard through the meat grinder of Three One G, especialmente a versão dos Weasel Walter para "Bohemian Rhapsody" (também rendeu em karaoke nos anos da Joana e depois nos anos da Nansse), foi como uma actualização do Wayne's World;

9. A troca de palavras entre o Luís e o Lou Barlow na ZDB;

10. A aula de canto de Hermeto Pascoal na Capela em Sines;

domingo, dezembro 18

Os melhores do Clube '05

Há muitas maneiras de começar uma introdução de uma lista de melhores discos do ano. Podemos ir pela tradicional “Eu sei que há imensas listas e esta é só mais uma, mas vale a pena!”, mas é óbvio que não vale a pena. É que neste mundo de hoje em dia ninguém tem vontade própria. Nem eu, nem nós, nem eles, nem tu. Isso mesmo: nem tu. Tu não tens vontade própria, reges-te pelas opiniões dos outros, filtrando mais ou menos aquilo que consegues. É um dos problemas da sociedade, ainda para mais da sociedade de informação. Posto isto, porque é que faço uma lista de final de ano? Porque sou egoísta. É isso, sou egoísta. Mas toda a gente que faz uma lista é egoísta. Porra, o próprio José Cid seria egoísta, se fizesse listas de final de ano. Sem mais demoras, é com muito prazer (claro que sim) que apresento os melhores discos de 2005 para o Clube de Fãs do José Cid, ou seja, para mim. E não para ti.


30. Boy Least Likely To – The Best Party Ever

29. Prefuse 73 - Surrounded by Silence

28. Devendra Banhart – Cripple Crow

27. Stephen Malkmus - Face the Truth

26. The National - Alligator

25. M.I.A. - Arular

24. Gang Gang Dance – God's Money

23. Jaga Jazzist - What we Must

22. Sleater-Kinney - The Woods

21. Six Organs of Admittance - School of the Flower

20. Of Montreal - Sunlandic Twins

19. Smog - A River Ain't too Much to Love

18. Kano - Home Sweet Home

17. Dangerdoom - The Mouse and the Mask

16. Silver Jews - Tanglewood Numbers

15. New Pornographers - Twin Cinema

14. Cage - Hell's Winter

13. LCD Soundsystem - LCD Soundsystem

12. Bright Eyes – I'm Wide Awake, It's Morning

11. Jamie Lidell - Multiply

Oneida - The Wedding
10. Oneida - The Wedding Os Oneida deviam ser canonizados, só porque sim. Porque eu quero, porque eu posso, porque eu mando. The Wedding tem cordas, tem momentos que parecem Black Sabbath, tem momentos psicadélicos, tem tudo. “Lavender” é a canção do ano.

Broken Social Scene
09. Broken Social Scene - Broken Social Scene Os Broken Social Scene evitaram o estigma do segundo álbum criando um primeiro álbum que para aí umas 10 pessoas ouviram (ainda assim, o dobro das pessoas que ouviram os KC Accidental na altura) e lançando You Forgot it in People como a sua obra-prima. Assim, não existia estigma do terceiro álbum, mas mesmo assim houve pressão para acabar Broken Social Scene. Os 500 e tal membros que constituem a banda passaram que tempos a gravá-lo e compensou. Durante esse tempo, entre outras coisas, a Feist tornou-se famosa para caraças. Não é um YFIIP, mas mesmo assim valeu a pena. Headbangin' é obrigatório durante todas as faixas densíssimas e a muralha de som deles. “Ibi Dreams of Pavement (A better Day)” é a canção do ano.

13+God
08. 13+God - 13+God Os Themselves com os Notwist (e não os Notwist com eles próprios). A Anticon vai à Europa. E resulta mesmo, a mistura do pseudo-hip-hop da Anticon com o sentido pop electrónico dos Notwist. Estranho, belo, bizarro, do mais alto nível. “Men of Station” é a canção do ano.

Kanye West - Late Registration
07. Kanye West - Late Registration College Dropout é dos melhores discos de hip-hop dos últimos tempos. Do princípio ao fim, não há uma única faixa dispensável, tirando, claro, os skits parvos do igualmente parvo Bernie Mac. Posto isto, há boas e más notícias. A boa notícia é que há menos Bernie Mac em Late Registration. As más têm a ver com o facto de ele continuar lá, mesmo que por menos tempo, e com Kanye ter convidado a Brandy para cantar. Porra, o homem pode ter o toque de Midas, mas ninguém é assim tão bom, mesmo que pense que é. “Gold Digger” é o single do ano. “Diamonds From Sierra Leone (Remix)” é a canção do ano.

Lou Barlow – Emoh
06. Lou Barlow – Emoh Emoh foi o primeiro disco a solo de Lou Barlow. Mas isto é enganador, já que muitas das coisas de Sebadoh eram Lou Barlow a solo e que Sentridoh também. O velhote esteve em Portugal na reunião dos Dinosaur Jr., mostrando-se muito mais dado aos palcos do que o Sr. J. Mascis e depois a solo, na ZDB e no Porto. É a melhor jukebox humana de sempre, já que é, por natureza, um songwriter bestial. “Mary” é a canção do ano.

Andrew Bird & the Mysterious Production of Eggs
05. Andrew Bird - & the Mysterious Production of Eggs Andrew Bird é o melhor assobiador do mundo. A sério, o tipo devia ter um cartão de negócios a dizer “Andrew Bird, assobiador, também faz uns biscates como violinista”. Violinista de formação, ao vivo dá um espectáculo do caraças e é, basicamente, um excelente escritor de canções. É que não é só o assobio, é o violino, é a voz e são as canções. “Skin is My” é a canção do ano.

Common - Be
04. Common – Be Quem é que quer saber se isto já foi tudo feito? Common é um MC excelente, Kanye West é um produtor magnífico, o que dá um Be…err…acabaram-se-me os adjectivos. Be não tem falhas, tem “The Corner”, um dos melhores singles do ano, tem samples escolhidos a dedo, beats e rimas do mais alto nível e até tem o ultra-irritante John Mayer em modo aceitável. “The Food” é a canção do ano.

Electrelane - Axes
03. Electrelane – Axes As Electrelane são os Neu! do novo milénio e têm em Axes uma obra-prima avassaladora. De Brighton para o estúdio do oculizado Steve Albini, Axes mostra que as Electrelane não têm quase nada a ver com os Stereolab, mesmo que tenham as mesmas influências. “Two for Joy” é a canção do ano.

Sufjan Stevens Invites You to Come On, Feel the Illinoise!
02. Sufjan Stevens – Illinois Esta não s>erá, porventura, a obra-prima de Sufjan Stevens, o rapaz que quis cantar a América profunda. É um disco enorme (literalmente), épico, um poema de amor a um estado norte-americano feito com a distância de quem não vive lá. Nesse sentido, pode ser visto como meramente um exercício de escrita criativa, mas não é isso. Temos bons arranjos, com muitos dos instrumentos tocados por Sufjan, temos a sua voz frágil e canções delicadas. “Chicago” é a canção do ano.

Animal Collective - Feels
01. Animal Collective - Feels Era impossível prever isto, mesmo depois de Prospect Hummer, o EP com Vasthi Bunyan. Do início ao fim, os Animal Collective fizeram um disco coeso, equilibrado, que mostra apenas o melhor deles e nada do pior. Feels é o disco que confirma o estatuto da banda como uma das melhores bandas pop da actualidade, mesmo não sendo Animal Collective 1) uma banda 2) pop. “Banshee Beat” é a canção do ano. Como já disse, volto a dizer: Feels é amor.

E pronto, é isto, durante os próximos dias ou as próximas semanas apresentarei mais uns tops relativos a concertos e a melhores cenas de sempre em concertos ou assim, ainda não decidi, mas para o ano há mais. É claro que nessa altura vou olhar para este top e rir-me, mas isso faz parte dos tops. E da vida.

terça-feira, dezembro 6

PANDA BEAR - I'M NOT/COMFY IN NAUTICA


Estúpido. É uma palavra que me define, acho eu. Durante tempos e tempos ignorei - estupidamente - e fui contra - estupidamente - os Animal Collective. Depois saiu Sung Tongs. Pensei logo que havia ali qualquer coisa. Mas eu não compreendia aquilo na totalidade. Gostava de uns temas, mas nada mais. Ao longo do tempo, sempre com esta bandeira, fui contra os Animal Collective. Depois lançaram Prospect Hummer, o EP com a Vashti Bunyan. Fiquei fã dela depois do Rejoicing in the Hands do Devendra Banhart. Gostei do EP. Mas pensei que ficasse por aí. Depois lançaram Feels e, bem, a história já se sabe, a malta atrevessou o rio, foi para um barracão em Cacilhas e lá descobriu-se que "We Tigers" era hip-hop e tal. Mas Sung Tongs continuou a ser desequilibrado. Ainda continua. Mas hoje ia no autocarro a ouvir o disco e...antes era "Leaf House". Depois foi "Who Could Win a Rabbit". Agora é "Winters Love" e "We Tigers". Talvez a guitarra de "Sweet Road". Mas continua a ser Feels e devem ser as vozes. As vozes, porra, as vozes.
E toda a gente sabe que o Panda Bear mora em Lisboa. Na verdade, depois do concerto da banda dele voltou no cacilheiro para Lisboa com o resto das pessoas e com a sua cônjuge. Aposto que subiram a rua e foram para casa (isto julgando - e provavelmente mal - que ele mora no Bairro Alto). Algures depois (aposto que foi antes) gravou "I'm Not" e "Comfy in Nautica". Nunca tive paciência para os delírios do rapaz a solo, não gostei de Young Prayer mas as vozes e as percussões dele nos Animal Collective sempre foram óptimas. E ao vivo ainda melhor. Posto isto, "I'm not" e "Comfy in Nautica" baseiam-se em voz e percussão, pouco mais. "I'm not" começa com o que parecem ser coros de igreja samplados ou assim e depois há mais sons que são difíceis de identificar (talvez uns teclados), enquanto o rapaz canta "I'm nooooooooooooooot". "Comfy in Nautica" é para as palminhas e, estando a comparação aos Beach Boys tremendamente gasta, faz lembrar Beach Boys. Isso, especialmente nas vozes.
Talvez seja da estupidez antiga - não sei -, mas cada vez que pego outra vez nesta gente fico a gostar mais deles. E este single vem confirmar precisamente isso. Não que tenha muito a ver com Animal Collective, falta ali, pelo menos, o Avey Tare, mas isto é muito bom. Muito bom. Tudo porque uma repetição fica sempre bem no fim. No fim.

ÓPTIMA, EXCELENTE NOTÍCIA


A 2: vai passar Martin Scorsese Presents the Blues, a série de documentários do Scorsese e de outros realizadores sobre os blues. Esta cena promete. Já tinham passado a série sobre o cinema italiano e é uma maravilha ver e ouvir o homem falar...

segunda-feira, dezembro 5

BELLE & SEBASTIAN


Talvez tenha encontrado mais ou menos a canção do disco. "Song for Sunshine", tem um refrão com um falsete esforçado e uma linha de Clavinet óptima. Funky para caraças, mas não é o funk que eles exploraram com o Trevor Horn (já descobri que o disco é mesmo Hornless). É algo mais kitsch. E tem cowbell (o melhor instrumento de sempre) e percussão, só é pena ter lá para o fim uns teclados manhosos.

domingo, dezembro 4

DISCOS DE 2006


Já chegou a meios menos normais a primeira fornada de discos de 2006. Vou experimentar dizer mal desta fornada apenas baseando-me em meia dúzia de audições.

Tortoise/Bonnie "Prince" Billy - The Bold and The Brave: É uma merda. Uma merda inexplicavelmente má e surpreendente, tendo em conta os artistas que lhe deram origem. É um disco de versões, tem Elton John, Bruce Springsteen e muitos outros. É foleiro para caraças, não se sabe porque é que Will Oldham se meteu nisto, e muito menos porque é que os Tortoise fizeram arranjos assim. A única faixa que se safa é a faixa de abertura, "Cravo e Canela" de Milton Nascimento. Essa sim, está quase ao nível daquilo que esperaríamos de uma colaboração dos Tortoise e do Oldham.

Belle & Sebastian - The Life Pursuit: Não sendo de todo um mau disco, The Life Pursuit sabe a muito pouco, especialmente depois de Dear Catastrophe Waitress e de Books EP (que tinha "Your Cover's Blown", o single que inventou o funk choninhas). Parece que a produção já não está a cargo de Trevor Horn (ou pelo soa como se não estivesse, estou a atirar para o ar) e ainda o ouvi poucas vezes. Não sei, há qualquer coisa aqui que me está a escapar...faltam canções a sério, canções que se evidenciem, parece apenas uma massa uniforme de temas. Não sei, não espero menos do que vir a engolir estas palavras. Espero que isto cresça.

Cat Power - The Greatest: Os tipos da Les Inrockuptibles e de outras publicações devem andar a tomar drogas. Só podem, de certeza. Basicamente dizem que isto é uma continuação de "I've Been Thinking", o tema de Chan Marshall com Handsome Boy Modeling School, no sentido de ser uma mistura do estilo dela com o hip-hop ou a soul. É óbvio que não tem nada a ver com o single, a expressão "country got soul" aplica-se-lhe, mas não podia estar mais distante desse tema. Tem alguns dos músicos do Al Green, mas mesmo assim nada no disco consegue ser melhor do que a faixa de abertura, "The Greatest", uma das melhores canções dos últimos tempos. O piano, a bateria de Steve Potts, as guitarras ocasionais, o baixo groovy e os arranjos de cordas épicos aliam-se à voz de Chan Marshall como nunca. Mas isto não é um You Are Free. E os sopros em "Could We" são um bocado foleiros.

Ainda estou para ouvir a colaboração da Isobel Campbell (por falar em Belle & Sebastian) e do Mark Lanegan, parece prometer. E ainda estou para engolir as minhas próprias palavras...

sexta-feira, dezembro 2

WHAT MAKES A HIP-HOP SONG DOPE?


Hoje, num bom artigo da PopMatters, Dan Nishimoto faz a pergunta: "What makes a hip-hop song dope?" Depois passa a falar de produtores que samplaram grandes produtores, Large Professor, DJ Shadow e Dr. Dre a samplarem Mizell Brothers e David Axelrod e da recontextualização dos samples. Muito bom. Ah, e o texto sobre os Dead Combo/Wraygunn e as escolhas musicais que se fazem ao escolher entre este e aquele concerto já está online aqui.

quinta-feira, dezembro 1

DEZEMBRO E A FESTA DA MONDO BIZARRE


Começou Dezembro e, com ele, a contagem descrescente até aos 19 anos. À semelhança do que aconteceu há um e há dois anos (não sou o menino prodígio que era o Jorge Manuel Lopes para fazer listas desde os 11 anos). Algures no decorrer deste mês serão publicadas por aqui as listas dos melhores eventos do ano, dos melhores discos do ano, das melhores malhas do ano, sei lá mais do quê, de tudo aquilo que me apetecer. "Os melhores do Clube 2005" deverão começar mais ou menos a meio do mês.
Depois da dobradinha Dead Combo/Wraygunn (texto sobre a noite ainda demora um bocado), foi tempo de passar pelo Lisboa Bar para ir à festa da Mondo Bizarre. Tinha ido à festa há dois anos, e tinha falado dela por aqui, mas esta foi diferente, num espaço mais pequeno e sem concertos (ainda bem, porque os X-Wife estão a ficar cada vez mais irritantes). No bar, em cima, DJ Shimmy passava clássicos (passou Ramones, KISS, Kinks, etc.), e lá em baixo estava o baixista dos More República Masónica e da Carbono cujo nome me escapa agora. Acontece que a parte de baixo é insuportável. Não sei como é que há concertos lá...tirou-me toda a vontade de alguma vez ir lá. Mas a parte de cima é óptima...e no fim até apareceu a polícia.
Parabéns à Mondo, a todos os seus colaboradores e em especial à Raquel e ao Hugo, os "donos", pelo óptimo trabalho.

quarta-feira, novembro 30

DEAD COMBO/WRAYGUNN


Hoje à noite há Dead Combo e Wraygunn no Santiago Alquimista. Vim há bocado de lá, onde estive a entrevistar o Paulo Furtado e a Raquel Ralha. Correu bem, dentro da medida do possível, pois foi uma conversa rápida. Gente simpática, profissional, mas na viagem para casa um tipo lembra-se sempre de perguntas que podia ter feito de forma diferente, ou de perguntas que podia ter feito. Em breve a entrevista estará online no sítio do costume, bem como um texto sobre o concerto de hoje à noite.
P.S. Quando forem ao Santiago Alquimista reparem no quadro que está na parede mesmo em frente de quem entra, um texto cheio de erros ortográficos (todos eles ridiculamente estúpidos) sobre o espaço, onde diz que os clientes têm de preencher certos "requesitos" para poderem entrar e afins. Quem tem dinheiro para imprimir um quadro assim não tem um ou outro amigo que, sei lá, saiba falar português para ajudar?

PAYOLA E OUTRAS CENAS ANTI-SONY


Depois dos senhores simpáticos da Sony terem sido acusados de payola (dar "prendas" queridas aos senhores das rádios para aumentar a rotação de certos temas da editora na rádio, coisa pouca), agora é a vez da Warner Music. Que bonito. Esta gente que anda a querer impedi-los de dar prendas aos amigos é gente má e ruim que só quer destruir a credibilidade de homens de negócios respeitáveis. É o mesmo com os senhores que apontam o dedo aos tipos da Sony por instalarem vírus nos computadores dos consumidores também. [momento sério: Devíamos deixar de comprar coisas da Sony e copiá-las até dizer chega, não dando um único tostão àquela malta, para ver se deixam de brincar com as pessoas, a protecção anti-cópia já é a maior estupidez do mundo, paga-se muito por um disco que nem se pode ouvir em todo o lado, que tem restrições, e agora ainda se instalam vírus nos computadores das pessoas? É urgente um par de chapadas naquelas caras, seguido de anos e anos na prisão. Mas ninguém prende estes monstros?]

terça-feira, novembro 29

MORRISSEY E MORRICONE


Ao que parece, o Estevão Patrício deixou o maestro Ennio Morricone e a sua orquestra entrarem no seu estúdio para gravar uma faixa para Ringleader of the Tormentors. Não sei bem o que é que me surpreende mais, se é o Morricone fazer a progressão natural da Dulce Pontes para o Morrissey, quando a esta hora já supunha que estivesse legalmente morto (a Dulce Pontes, foda-se?), ou se o Morrissey usar uma orquestra que não seja japonesa. De qualquer forma, se o(s) velhote(s) estiver(em) em forma, será bom.

segunda-feira, novembro 28

MISSY ELLIOTT CANCELADA


Há uns anos, ninguém em Portugal queria saber de hip-hop. E o hip-hop internacional não queria saber de Portugal. Mas, de repente, parecíamos estar no bom caminho. Os promotores começavam a pensar em concertos para os festivais de verão. E depois tivemos o 50 Cent (pessoa que eu abomino totalmente, tirando um ou outro tema, e aí o mérito nem é dele, é do Dr. Dre). Ao que consta, estava cheio. Ia começar tudo. Portugal ia-se tornar essencial na rota dos grandes concertos. Mas deitámos tudo a partir. Alguém decidiu, de repente, trazer cá o Busta Rhymes e a Missy Elliott. Ao que consta, pouca gente foi ao Busta Rhymes. Eu não fui a nenhum, não tenho especial apreço por nenhum dos artistas, mas era um óptimo começo. Acho que concertos internacionais de hip-hop...err...só vi os Roots em Paredes de Coura. Foi giro, mas nada de mais. Como já disse por aqui, os Roots estão muito melhor a tocar temas dos outros (e, especialmente, com os outros) do que a tocar temas deles. Quase só tocaram medleys de outros, olhava para um lado e tocavam Led Zeppelin, olhava para outro e tocavam Amerie. E falhei os De La Soul já nem me lembro porquê. Era suposto provar que rendia trazer cá os artistas. Mas não, afinal não. Ainda se podia estoirar o dinheiro todo com a Missy, ainda se podia tentar a sorte...mas não. Primeiro foi adiada e depois cancelada. Restam-nos os Black Eyed Peas e artistas igualmente maus...o cachet desta gente é estupidamente alto. São os high-rollers e não vendem nada cá. Mas que era bom ter cá, por exemplo, uns Beastie Boys, que quase certamente valeriam o investimento...isto vem desmotivar tudo. Serão precisos mais 30 anos de hip-hop para Portugal entrar na rota dos grandes concertos?

É NATAL, É NATAL


E ninguém fala do acontecimento que é a TVI estrear em portugal o Home Alone IV, filme que deve ser o melhor de sempre. E até Janeiro este é o Clube de natal do José Cid e não o Clube de fãs do José Cid. Ficam avisados.

domingo, novembro 27

OUTFEST+OXIGÉNIO À SOLTA


Antes da festa da Oxigénio no Sabotage fui ao Outfest no Barreiro. Atravessar o rio para ir ao Barreiro é das experiências melhores do mundo, porque sabes sempre que do outro lado, lá no fim, está o Barreiro. Depois de uns tempos à procura do raio dos Ferroviários, que afinal era um sítio cheio de velhos do Barreiro (com óculos fundo-de-garrafa a dizer "isto é música para marcianos!") com um pavilhão gimno-desportivo que tinha espaldares e tudo, os One Might Add, que estavam marcados para as 10 da noite (tinha, ao sair de casa, perdido o autocarro, chegado a Belém a pé e perdido o eléctrico onde estavam uns amigos, depois chegado à Praça do Comércio e perdido o barco, etc.), ainda não tinham começado. Fala-se com a malta, com o Ruben e o Alberto, que são os One Might Add, e de repente eles são puxados para cima do palco. O Betão anda com mad skillz on da turntable, como se diria em inglês e num registo do hip-hop, mas os One Might Add são os Black Dice portugueses. E pronto e não é só por serem meus amigos (ou talvez seja). Depois tive de me ir embora e ainda ia perdendo o barco para voltar e, a pensar que ia chegar atrasado à festa da Oxigénio, não cheguei a dar um saltinho ao Lounge para ver o Camarão tocar. Por falar nisso, tenho de ouvir o disco dele. A reportagem sobre a festa com Whomadewho, Jackson and His Computer Band, Jamie Lidell, o bigode do guitarrista de Whomadewho e a digi-soul de Jackson Fourgeaud segue dentro de momentos no sítio do costume se bem que já tenha escrito sobre a soul digital para o novo milénio (via Warp) de Smash e Multiply da banda computorizada e do Lidell, respectivamente. É só seguir o link (porque eu gosto de fazer estes bonecos, como puderam ver aqui):

Soul digital para o novo milénio

EDIT de madrugrada: já está online aqui.

sexta-feira, novembro 25

BRIAN ENO


Num texto publicado hoje no Independent, Brian Eno diz a certa altura "To try to remember them as a Western musician is very hard." É impressão minha ou o Eno sempre falou dele como um não-músico? Será que à medida que se torna mais velho (e mais foleiro, ouvide o disco a solo deste ano e o facto de ele ainda produzir os U2) vai tendo outra concepção dele próprio?

R.I.P. PAT MORITA


Morreu o simpático Mr. Miyagi. "Wax on, wax off", meu velho, "wax on, wax off".

Pat Morita

ELIZABETHTOWN


É só giro e divertido, é um Garden State um bocado melhor. Não é a obra-prima do Cameron Crowe nem é um Lost in Translation ou um Eternal Sunshine of the Spotless Mind. É simpático. Acho que devo ser a única pessoa do mundo que nunca tinha visto um filme com o Orlando Bloom (nem sabia como era a cara dele nem nada). O filme tem o Loudon Wainwright, que é sempre divertido em papéis secundários - então o papel de pai divorciado na série Undeclared (aquela que era tipo o Freaks & Geeks mas em pior e na faculdade... - e a Kirsten Dunst. E estão todos óptimos. Ruckus \m/

WTF?


Os maiores sites de música não fizeram updates nem ontem nem hoje. Não vejo em lado nenhum avisos sobre isso...o que é que se passa?

quarta-feira, novembro 23

BOO-HOO-HOO


Parece que a malta da Brainwashed não gosta dos Plug Awards. Boo-hoo-hoo.

HO HO HO


Segundo a PopMatters, o Natal chegou. Aqui está o guia.

A MORTE DO INDIE ROCK


Anteontem, na Pitchfork, vinha uma entrevista aos Broken Social Scene. Kevin Drew, um dos "líderes" da banda, disse isto:

Indie rock doesn't really exist anymore. And you either sound like U2 or "Do You Think I'm Sexy" by Rod Stewart. And that seems to be the fucking way people love music these days. Thank god for the Animal Collective and the crazy ones like that who are still making records that are challenging and different. But all I hear are "Do You Think I'm Sexy" and "With or Without You" remixed 8,000 times. We want to have a career where we can look back and feel good about everything. You don't want to end up playing picnics and shopping malls and looking like a fucking bloated idiot.

Será que já tudo está feito? Será que é assim tão difícil fazer algo de novo e fresco com canções? Parece que sim, mas tal como ele diz, Feels dos Animal Collective fez com que parecesse tão fácil...e também parece que as bandas, outrora especialistas em quebrar barreiras, estão a abrandar, como os Sonic Youth (aliás, vinha também uma entrevista com o Lee Ranaldo que ainda não li, mas pelo que percebi nem mencionava o nome do Jim O'Rourke, pelo que não se confirma nem desmente a saída dele dos SY). Mas esses fazem-no com pinta e continuam a manter um contacto com a cena noise/avant-garde/improv/o raio que os parta, especialmente o Thurston Moore com a Ecstatic Peace. E as canções? Será que ficarão sempre relegadas para segundo plano? Será que ou se é conformista e previsível ou se tem de virar para o free-folk? Não haverá nada no meio? Talvez os Deerhoof, os Xiu Xiu (estes talvez sejam um mau exemplo, estão uma merda), os Animal Collective, etc. Graças a Deus que existe Feels, mas, e depois de Feels? Acaba a novidade aliada à canção? Isso interessa? Não acho que a inovação seja o maior fim a ter em conta, mas será que o indie rock deixou de nos surpreender e morreu? Beats me...

EDIT: A propósito disto, lembrei-me do texto que César Laia (colaborador regular da Mondo Bizarre) escreveu sobre o Feels no blog dele.

MODAS


Odeio (e abomino) o reggaeton. Odeio o baile funk. Ontem na Stylus vinha um artigo chamado Who Let the Yobs Out? sobre o baile funk. Fez-me lembrar que ler sobre o baile funk é mil vezes mais divertido do que ouvir o baile funk. Mesmo que "Bucky Done Gun" da M.I.A. (de quem gosto, tem mil vezes mais pinta do que a malta dessa cena) tire a batida a uma faixa de Deise (Deyse?) Tigrona, é uma chatice. Também não sou grande fã desta nova vaga de de hip-hop sulista (com destaque para Houston). Sim, "Still Tippin'" é um bom tema, mas não passa disso. Do que ouvi, os discos de David Banner (do Missipi), do Slim Thug, do Bun B, do Mike Jones (estes de Houston), só se aproveitam algumas faixas e, na maior parte das vezes, são as com convidados de peso (Jazze Pha, Neptunes, etc.). Mas o Paul Wall está óptimo no "Drive Slow" do Kanye West. A nível de rimas é tudo à volta da mesma coisa ("pimpin'", dinheiro, carros, putas, etc.) e instrumentalmente nem tudo é grande coisa, tirando, talvez, o single do ano passado dos Ying Yang Twins, "Wait (the Whisper Song)" (a letra é sofrível e misógina e sexista e absoutamente nojenta). Tal como o baile funk, estas cenas musicais são muito melhores quando lemos sobre elas do que quando as ouvimos. Hype, puro hype e modas inconsequentes.

PLUG AWARDS 2005


Já saiu a lista de nomeados para os Plug Independent Music Awards. Pode-se votar aqui.

O voto é secreto, mas as minhas escolhas são:

Album Of The Year: Animal Collective - Feels (FatCat)
Artist Of The Year: Animal Collective (mas também podia ter votado Devendra Banhart, MF Doom e Sufjan Stevens)
New Artist Of The Year: Clap Your Hands Say Yeah (a minha escolha recaiu sobre eles porque Dungen já existe há muito tempo e Ta Det Lugnt é de 2004)
Song Of The Year: Sufjan Stevens - 'Chicago' (apesar da sobre-exposição)
Female Artist Of The Year: Annie (apesar de Anniemal ser de 2004)
Male Artist Of The Year: Sufjan Stevens (mas também podia ter votado Andrew Bird, Conor Oberst, Devendra Banhart, Jamie Lidell, MF Doom e Sam Beam)
Hip-Hop Album Of The Year: Dangerdoom - The Mouse And The Mask (Adult Swim/Epitaph)
[também podia ter escolhido o Hell's Winter do Cage]
Punk Album Of The Year: Sleater-Kinney - The Woods (Sub Pop) [mas não é propriamente punk]
Electronic/Dance Album Of The Year: Jamie Lidell - Multiply (Warp) [mas também podia ter escolhido Lost & Safe dos Books, The Milk of Human Kindness de Caribou, Everything Ecstatic de Four Tet e Smash de Jackson and His Computer Band
Americana Album Of The Year: Six Organs Of Admittance - School Of The Flower (Drag City) [mas também podia ter escolhido Cripple Crow do Devendra Banhart e In the Reins de Iron & Wine com Calexico]
Indie Rock Album Of The Year: Sufjan Stevens - Illinois (Ashmatic Kitty) [mas também podia ter escolhido Broken Social Scene dos Broken Social Scene, Clap Your Hands Say Yeah dos Clap Your Hands Say Yeah, Runners Four dos Deerhoof, Alligator dos National, Twin Cinema dos New Pornographers e The Woods das Sleater-Kinney]
DJ Album Of The Year: Annie - DJ-Kicks (!K7)
Avant Album Of The Year: Animal Collective - Feels (FatCat) [talvez também pudesse ser God's Money dos Gang Gang Dance]
Record Label Of The Year: Warp (tirando os Mäximö Park)
Live Act Of The Year: Arcade Fire
Record Producer of the Year: Danger Mouse (por Dangerdoom e Gorillaz)
Album Art/Packaging of the Year: Sufjan Stevens - Illinois (Asthmatic Kitty)
Music Website Of The Year: stylusmagazine.com

No resto, obviamente, não tenho conhecimento de causa para votar, pelo que vou votar ao calhas.

terça-feira, novembro 22

BRING THE BEAT BACK


Flavor Flav

Vi agora na MTV o novo single dos Public Enemy, "Bring the Beat Back". Música medíocre (para os Public Enemy, obviamente) e o Flavor Flav está mais ridículo do que sempre. Os reality-shows não fazem bem. E também não é preciso o Chuck D parecer que foi passear ao Vasco da Gama, ou é?

segunda-feira, novembro 21

KANYE PT. 2


E, por falar nisso, o Kanye West não é assim tão mau MC quanto isso. Ontem passou no VH1 o VH1 Hip-Hop Honors e coube a Ludacris, Lil' Cease e Kanye West homenagearem o Notorious B.I.G. Acontece que, mesmo não tendo dado uma abada ao Ludacris, o Kanye encostou o Lil' Cease a um canto. A banda da casa eram os Roots - sim, o ?uestlove estava a usar o pente e aquilo comprova que eles são enormes e muito melhores a pegar na música de outras pessoas (como se o Unplugged do Jay-Z não provasse isso) - e as Salt-N-Pepa juntaram-se, a elas próprias e às En Vogue para a ocasião. Pete Rock passava malhas no intervalo e, lá no balcão, Grandmaster Flash mexia a cabeça para cima e para baixo e LL Cool J debitava todas as rimas de cor. Não vi tudo, por isso não posso falar das homenagens aos dois.

LATE REGISTRATION


Late Registration

domingo, novembro 20

AH


E P.G. Six foi assim.

R.I.P.


Link Wray

PIMPINHA


Nuno Markl e Pedro Gonçalves sobre a crónica de Pimpinha Jardim em que esta diz que as pessoas de Marrocos são feias e sujas e deslavadas e que é preciso mais cocktails a bordo de cruzeiros. Há que dizer que esta rapariga estuda Comunicação Social e um dia vai ser jornalista. Mas isto não é de estranhar, vivemos em Portugal, casa-mãe da mediocridade, da tristeza, da ignorância e da falta de talento. São duas perspectivas diferentes, Nuno Markl escolhe levar a história para a troça e Pedro Gonçalves escolhe mostrar quão grave isto é. Eu escolheria tratarmos de ignorar todas e quaisquer prosas desta senhora, toda a gente deixar de comprar O Independente, o 24 Horas e todos os jornais parecidos e deixarmos de dar atenção a exemplos de péssimo jornalismo, a "jornais" que nem merecem que lhes chamem jornais. Ou isso ou torturar Inês Serra Lopes e Pimpinha Jardim.

sexta-feira, novembro 18

CAB CALLOWAY


AFINAL


Afinal parece que para além do fado Portugal só tem música caboverdiana, os Dead Combo (bom) e os Gift (mau).

ATLANTIC WAVES LÁ FORA


Hoje no Guardian vem um artigo intitulado The best-kept secret in Europe, sobre como há mais em Portugal do que o fado. Será o lobby Atlantic Waves em acção? (ainda não li o artigo todo)

quinta-feira, novembro 17

ARCTIC MONKEYS


Estes Arctic Monkeys são uma chatice. Em termos de bandas que se "fizeram" na internet, os Clap Your Hands Say Yeah levam o meu voto (e o voto de toda a imprensa online, OK, sou bué influenciável e tenho muito pouca personalidade e tal mas isso não interessa agora porque blá blá blá blá blá blá tu ru ru ru ru ru e tal).

quarta-feira, novembro 16

EUROPA


Hoje, no seu Juramento sem Bandeira, o Vítor Junqueira deixou uma reflexão chamada "Estará a Europa fora de moda?". Eu não era propriamente nascido nessa altura, mas acho que o texto lança questões pertinentes, mesmo que seja necessário separar a área do rock da área da electrónica. Se nos anos 80 os Birthday Party, rockeiros australianos, iam viver para Berlim, isto agora já não acontece, mas acontece outro fenómeno interessante, já que gente vinda da área da electrónica sai dos EUA ou do Canadá para ir viver para a Alemanha, como é o caso do Gonzales, entre outros. E ainda mais interessante é o caso de Scott Herren (Prefuse 73, Delarosa and Asora, Savath+Savalas, Piano Overlord), que se foi fixar em Barcelona. Ou o de Josh Rouse (já dentro do rock, bem, não bem), que também foi para Espanha. Depois há a cena nórdica de rock'n'roll maioritariamente revivalista, mas não seria mesmo possível, hoje em dia, que nascessem uns Young Gods.

terça-feira, novembro 15

P.G. SIX E OUTRAS DIVAGAÇÕES


Sexta-feira é dia (noite) de P.G. Six e Samara Lubelski na Galeria Zé dos Bois. O André Gomes, meu editor no Bodyspace, entrevistou o Sr. Six para a Mondo Bizarre. A Samara tem canções enormes e é, ela própria, enorme. P.G. Six também, com folk virada para a música europeia e a música medieval com instrumentação peculiar, com momentos melhores que outros. Eram os dois membros dos Tower Recordings, conjunto que juntava, entre muitas outras coisas, folk e improvisação. De qualquer forma, domingo no Guardian saiu um artigo sobre a linguagem dos blogs musicais onde eram mencionados grandes senhores como Tom Breihan, Nick Sylvester, Sasha Frere Jones, e onde estes eram vistos como seguidores do trabalho de Lester Bangs. Nada mais certo. Anteontem estava a ler um texto dele sobre as noites de fim-de-ano e pensei: "Como é que algo assim pode ser publicado num jornal?" Na altura era muito mais difícil, mesmo sendo o Village Voice um jornal alternativo, agora com os blogs é tudo muito mais fácil...mesmo assim, a invenção de novos vocábulos e de expressões como se verifica naqueles blogs é muito mais complicada em português. Será que um dia será possível algum destes senhores novos escrever textos tão importantes quanto este?

segunda-feira, novembro 14

AVISO À NAVEGAÇÃO


Este blog compromete-se a nunca, mas nunca, cair na boçalidade de publicar a célebre fotografia do Mestre nu com um disco de ouro. Esta fotografia foi recuperada há pouco tempo, mas não queremos ter nada a ver com isso. Parem de procurar "José Cid Nova Gente" no Google, por favor, que daqui não levam nada. Nada, absolutamente nada. O que levam é uma divagação estúpida sem qualquer sentido sobre o Mestre. O Mestre nasceu não-sei-quando, não-sei-onde, foi o primeiro a cantar bossanova em português de Portugal, formou o Quarteto 1111 com o Tó Zé Brito e o Mike Sargeant e o outro gajo de cujo nome não me recordo agora e um dia posou para a Nova Gente. É um bocado isso, ou talvez não seja. Acham que conheço a biografia do Mestre de cor? Não, não conheço. Vocês é que deviam conhecer. Eu posso ter um blog chamado Clube de Fãs do José Cid, mas vocês é que estão a lê-lo. Quem é o parvo aqui? Quem? Pois, eu sei que sou, mas o que é que vocês são? E isto é tipo a primária...falem para a mão porque a cabeça não está a ouvir (ou assim). Ai é? Hum...errr...ah...ooh...vocês também!

domingo, novembro 13

THE GIFT


Já não bastava esquecerem-se do "it" em "Doing it for music", de mostrarem que não sabem falar inglês (é mesmo bonito não dominarem a língua em que se expressam), agora vem a confirmação: os Gift são a banda mais foleira de sempre. Onde é que está o sentido estético deles? Estará no lixo, como o talento musical? Agora, neste momento, estão a fazer um playback dessincronizado no Herman SIC (Herman, meu, eu sei que me lês, foda-se, faz qualquer coisa quanto a esse cabelo, há uns anos ainda nos ríamos, agora é só ridículo).

The Gift

SANTANA E NICKELBACK


Descobri que alguém procurou "Santana e Nickelback" no Google e veio ter a este blog. Espero que tenha sido a procurar formas de matá-los ou assim. O Devendra foi fixe.

sábado, novembro 12

LOU BARLOW


Ontem foi noite deste senhor (Sebadoh, Folk Implosion, a solo) fazer de jukebox humana na ZDB:

Lou Barlow

Já não usa óculos de massa, aceita pedidos de toda a gente (não é, Luís? A vossa química era brutal, deviam começar um talk-show, alguém falou da ligação Conan O'Brien-Max Weinberg, mas sem as caras de aborrecidos), toca temas de Sebadoh (eu pedi "Not a Friend" quando ele saiu a meio para ir ao bar), toca "Spoiled" (a melhor canção de sempre, da banda sonora do Kids) e vai alternando entre guitarra e teclado. Mas é só no princípio que sampla e loopa a guitarra, depois esquece o teclado e essas maquinetas e alterna só entre a guitarra de 6 cordas e a guitarra de 4 cordas, explicando que era jovem e se partiram as cordas e não tinha dinheiro para outras, pelo que escrevia canções só com 4 cordas. Ainda hoje é pobre e não tem dinheiro, por exemplo, para ir a Nova Iorque reunir-se com Eric Gaffney para fazer mais discos dos Sebadoh, já que The Sebadoh, de '99, foi um fracasso brutal (mas belo disco, ainda assim). Tocou "Mary", de Emoh, o seu primeiro disco verdadeiramente a solo, a canção que fala sob a perspectiva do pai terreno de Jesus e começa com: "Immaculate conception / yeah right".
Apesar de eu adorar a ZDB, há certos concertos que não devem ser com cadeiras. Já tinha acontecido o mesmo na Nina Nastasia (mas aí arranjei lugar), torna-se insuportável estar em pé com tanta gente dentro da sala e com cadeiras lá. Também, até certo ponto, aconteceu o mesmo em Final Fantasy, mas aí as pessoas sentaram-se no chão e a culpa foi delas próprias (será que o público é estúpido e mauzinho?). É a porcaria do calor a meio de Novembro numa noite fria. É das cenas mais esquisitas de sempre. Mas foi, apesar de tudo, um concerto divertido, não só pela química Lou-Luís (ele tinha um blog manhoso mas já não existe, por isso não há link), mas também pelo mito que é Lou Barlow e pela simpatia toda dele. E hoje é dia de Devendra Banhart na Aula Magna.

quinta-feira, novembro 10

DAILY SHOW


Numa das jogadas mais estúpidas que já fez, a SIC Radical retirou da sua grelha o Daily Show. Há uma petição para contrariar isso, para mostrar àqueles tipos que um programa do Pedro Ribeiro não é solução para nada e devia acabar já. O senhor não tem piada e mesmo que o programa não seja tão mau quanto eu o imaginava, é péssimo.

sábado, novembro 5

PROSAS


Prosa sobre Final Fantasy na ZDB no sítio do costume. Depois de Has a Good Home, editado pela Tom Lab (wtf?), showmanship e performance do caraças, mas cabelo ridículo. E, para breve, está uma entrevista ao DJ Spooky, outra aos Deerhoof e textos sobre Iron & Wine com Calexico e Danger Doom (MF Doom com Danger Mouse).

sexta-feira, novembro 4

MTV


Se os MTV European Music Awards não são sobre música, são sobre o quê? Sobre as fatiotas ridículas dos Gift ontem? Eram ainda mais ridículas que as dos Blasted Mechanism, só que os Blasted Mechanism não levam as fatiotas a sério e para os Gift aquilo é estar bem vestido.

quinta-feira, novembro 3

INCOMPETÊNCIA


Bárbara Oliveira Pinto
Porque é que a incompetência é recompensada em Portugal? Estes apresentadores e apresentadoras da RTP, os apresentadores da MTV, do Curto Circuito, sei lá mais do quê. E o mais giro é que algumas destas pessoas ganham castings. Viva a mediocridade.

MARQUÊS DE POMBAL


Marquês de Pombal

Paragem de autocarro no Marquês de Pombal, hoje às 12 e 30. Porque é que Lisboa odeia quem não tem carta de condução e anda de autocarro?

quinta-feira, outubro 27

HOJE NOS EUA


O Village Voice fez 50 anos. E continua em grande, com pesos-pesados como Robert Christgau e Simon Reynolds (e a sua esposa Joy Press) mas também "putos" como Tom Breihan e Nick Sylvester, todos eles enormes. É possível conferir online alguns dos seus artigos mais emblemáticos, como o do grande Lester Bangs sobre o racismo na cena punk nova-iorquina ou do Christgau sobre o punk britânico. E Rosa Parks morreu (já há uns dias, mas mesmo assim). Everybody move to the back of the bus.

terça-feira, outubro 25

LEMBREI-ME AGORA


Por falar no meu último post, lembrei-me agora de que algumas pessoas podem dizer que eu não tenho credibilidade por ter um blog chamado Clube de fãs do José Cid. É um mundo triste, este onde nós vivemos.

METRO


Ontem li uma crónica da Margarida Rebelo Pinto no jornal Metro. Ela dizia que lhe tinham dito que havia um boneco no Contra-Informação que fazia pouco dela, repetindo-se e citando Lobo Antunes. Tentou, depois, descredibilizar o programa e defendeu-se dizendo que toda a gente diz mal dela por vender muito. Foda-se, Guidinha, tu tens uma crónica no Metro, achas mesmo que vais descredibilizar alguém?

segunda-feira, outubro 24

O MESTRE


Ontem telefonaram-me a dizer que o Mestre estava na televisão. Por azar não estava em casa, mas foi um bom telefonema. Longe vão os tempos em que isto acontecia semanalmente, o Mestre estava sempre na televisão...bons tempos. Mas ontem voltou a estar, e ainda por cima na 1ª Companhia. São tempos decadentes, estes em que o Mestre mal aparece e, quando aparece, ou é em repetições da RTP Memória, ou em documentários sobre os festivais da canção, ou em programas de má qualidade. O Mestre não merece isto, o Mestre merece Coliseus, o Mestre não merece Pavilhões Atlânticos (a qualidade do som não é suficiente para o Mestre), o Mestre merece tudo de bom e nada de mau. Júlia Pinheiro, espero que ardas no Inferno por teres raptado o Mestre.

domingo, outubro 23

RESUMO DA SEMANA


Porque é que eu não escrevo aqui? Serei parvo? Não respondam, sou. Mas qual é o mal? Nenhum. Às vezes não há nada para dizer sobre o Mestre. Bem, quase nunca há coisas para dizer sobre o Mestre. O resumo da semana é o seguinte:

- Os Animal Collective não tocaram num cacilheiro, mas foi uma bela travessia do Tejo na mesma.
- Swimming pooOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOL

Quem não perceber está fora. Mas ainda vai a tempo de perceber.

segunda-feira, setembro 26

FOCUS


Este blog foi um dos "Sites da semana" da revista Focus. Quem achar que o sucesso deverá subir-me à cabeça, telefone para o 0641 942 900. Quem não achar que o sucesso deverá subir-me à cabeça, telefone para o 0641 942 901. De qualquer forma, eu ganho dinheiro e vocês perdem.
Ou talvez não. Talvez já não existam estes números há vários anos. Peço desculpa, perguntei a toda a gente que conhecia (conheço pouca gente), ninguém se lembrava de números a sério, nem de quais são os indicativos hoje em dia. Gostaria era de fazer um apelo às celebridades que falam deste blog. Sim, porque ser famoso só nos sobe à cabeça se houver dinheiro. Haja dinheiro, por favor. Subornem-me, dêem-me dinheiro. O Herman José menciona o Clube de Fãs do José Cid e não há dinheiro envolvido? Por amor de qualquer coisa...

Pode ter a ver com isto, mas também pode não ter a ver, mas tive de mudar o template porque houve um problema qualquer e isto ficou cortado, não dava para entrar cá. Por isso vamos começar tudo de novo, OK, malta? Bute.

sábado, setembro 3

KATRINA


Kanye West, numa jogada de louvar, ousou dizer "George Bush doesn't care about black people" em directo na televisão. Segundos depois foi cortado. Esta é uma entrevista com o mayor de Nova Orleães, onde podemos ver o desespero daquela gente. Mas não, é melhor Condoleeza Rice andar aí nas compras em Nova Iorque, Bush andar de férias, e sabe-se lá mais o quê. "São só pretos, não é como se fossem pessoas a sério, e a malta rica já se foi embora." Será que é isto que passa pela cabeça destas pessoas? Tudo por causa duma lei estúpida e idiota que eles usam para se protegerem. Alguém tire o poder desta gente, por favor. Por favor.