domingo, setembro 28

Cá estou eu outra vez a ouvir um álbum novo do Elvis Costello, "North". Este homem não pára de me surpreender (pela positiva). Já o ano passado inovou com "When I was Cruel" (aquele em que era basicamente ele, o Stevie Nieve e meia dúzia de japoneses com nomes famosos como Yamaha ou Roland), este ano mudou de óculos, divorciou-se e ficou noivo da Diana Krall. Para complicar as coisas, ele trocou a sua famosa Fender Jazzmaster pelo piano, com arranjos e orquestrações (do próprio) dignos de um espectáculo da Broadway ou do West End londrino (não fosse o homem um inglês de gema).

Eu sei o que devem estar a pensar: "Ah e tal, o homem tem um álbum novo, anda a comer a Diana Krall, deve andar a fazer jazz suave como o dela, aposto que até vai ganhar Grammys." Mas não é assim tão verdade...os temas dele neste disco são influenciados pela sua relação amorosa com a Diana Krall, e como chegou à mesma. Com temas pessoais, de amor, ele faz a crónica de como acabou o seu casamento e acabou na cama da presente noiva, sendo o a maior parte do disco feito de temas românticos, tendo como base o piano. E, a partir do tema "Impatience", onde o piano é disfarçado com o aparecimento de um sintetizador, uma secção de metais e percussão quase latina, os temas tornam-se mais optimistas, mais felizes, aparecendo em "Too Blue" um vibrafone e mais um sintetizador (daqueles com um coro de igreja japonês lá dentro, que dizem "Ah"). E chega a "North", falando de cada ponto cardeal, sendo o Norte aquele para onde ele quer ir, cujo caminho ele conhece até de olhos fechados. É lá que está o amor, aquilo que ele lutou tanto para atingir.

É este o Norte do Elvis, fazendo lembrar "aquela vez em que ele brincou com o Burt Bacharach. Ah, e é bonito, até nos traz uma lágrima ao canto do olho.