sábado, outubro 25

NOVO FILME DOS COEN



Como todos sabem (e se não sabem, deviam saber), os irmãos Coen têm um novo filme que estreou ontem. Fui vê-lo hoje, e é o reflexo da ideia perversa que os Coen têm sobre o seu próprio país e sobre o cinema. A primeira parte do filme parece ser uma comédia romântica normal, vista pela perspectiva dum advogado de divórcios, representado por George Clooney (porque é que ele aparece sempre nos filmes mais fracos dos Coen?), mas sempre com aquele toque dos irmãos, mostrando que não poderia ser realizado por mais ninguém, enquanto que a segunda parte nos mostra coisas que nunca poderiam acontecer num filme normal de Hollywood (daqueles para se ver enquanto se come pipocas). É um filme giro, mais fraco que outras obras dos Coen, mas com tudo o que gostamos nos Coen, as reviravoltas da história, as personagens que não se sabe donde vêm nem para para onde vão mas sabem sobre as outras pessoas, e o Bruce Campbell. Sim, tal como em Fargo (em Hudsucker Proxy o tio Bruce é mesmo uma personagem), Bruce Campbell, o mítico protagonista da trilogia Evil Dead, aparece numa telenovela que as personagens vêem, durante poucos segundos. Como toda a gente sabe, o Bruce Campbell é propriedade do Sam Raimi, o famoso realizador da referida trilogia e de xaropadas como Rápida e Mortal (sim, o filme de cowboys com a Sharon Stone, o Leo DiCaprio, o Gene Hackman e o Russel Crowe) e produtor de míticas séries como Hércules e Xena, a Princesa Guerreira, e como ele é tão amigo do Joel Coen, que trabalhou mesmo no primeiro Evil Dead, empresta-lhe o Bruce às vezes. O Bruce Campbell é dos meus actores favoritos (e eu que li a sua biografia, um genial pedaço de literatura). Mas este filme também tem aquilo que há de mau nos filmes dos Coen: Billy Bob Thornton. Mesmo assim, é um belo filme e até serve para o engate.