quinta-feira, novembro 20

CHICK COREA NO CCB


...and then there were six


Fui. Não gostei. O Chick Corea, como todos sabem, é um grande pianista de jazz. Ontem à noite o seu trio, bem, não era um trio, o trio é na realidade um quarteto, se contarmos com o próprio Corea, e em palco acaba até por ser um sexteto (com um percussionista adicional e a voz da mulher de Chick), apresentou-se no Grande Auditório do CCB. Chick Corea no piano, Avishai Cohen no contrabaixo, Jeff Ballard na bateria e Steve Wilson nos saxofones alto e soprano e na flauta transversal. Com a sala cheia, e algum tempo depois do previsto, Chick apresentou-se em palco, com uma camisa vermelha foleira como tudo. Lá entraram os músicos, e começaram. Numa primeira parte quase sem momentos altos, muito chata, Chick mandou entrar a sua mulher, para cantar. A mulher dele tem uma voz horrível, e tem uns agudos de fugir, sempre que ela cantava os meus ouvidos arreliavam-se. Assim, esta primeira parte só teve um ou outro momento bom, com Jeff Ballard e o percussionista sozinhos, por breves momentos a dar indícios do que ainda estava para vir. A primeira parte chata deu lugar a uma segunda parte "assim-assim". Começando com piano solista, um dos pontos altos da noite, Chick e a sua banda começaram a aquecer (sem a voz da mulher). Steve Wilson passou para o saxofone soprano, mostrando que é neste que se sente mais à vontade, e os dois percussionistas lá iam dando ares da sua graça. O baixista, Avishai Cohen, não se encontrava muito inspirado, solando nalguns temas, solos esses que se mostraram muito repetitivos. Assim foi continuando o concerto, e, lá para o final, os dois senhores da percussão fizeram solos muito bonitos, num dos grandes momentos da noite, como se fosse o final de um grande concerto que não chegou a acontecer. Após isto, Chick e a banda foram-se embora, voltando para um encore. Em "Spain", qual grande êxito duma banda pop, Chick levou a audiência (mesmo que alguma dela já tivesse começado a sair) a fazer um coro (mais ou menos afinado, pois eram notas longas), criando-se um ambiente bonito, que apenas foi estragado pela voz da sua mulher (volta, Bobby McFerrin, estás perdoado). Um concerto que tinha tudo para ter sido bom, mas não o foi.