quinta-feira, novembro 13

LOGH


Ontem, por volta das 9 horas da noite, entrei no Santiago Alquimista, com o objectivo de ver Logh, uma banda sueca que me tinha impressionado muito, pelos seus discos, e duas bandas portuguesas, uma que não conhecia e outra que achava deveras chata, e sem ideias. O concerto dos WABI (com um som muito mau), uma banda portuguesa da qual nunca sequer tinha ouvido falar (felizmente) foi das piores coisas a que já assisti. Seguidores dum indie rock do fim dos anos 80/princípio dos anos 90, mostraram-se sem qualquer tipo de talento, a tocar música batidíssima e totalmente previsível (a meio do concerto, já fazia apostas com as pessoas que estavam na minha mesa, prevendo o que eles iam fazer a seguir. Acabam sempre os temas da mesma maneira e nenhum deles sabe tocar os seus instrumentos e vocalista não sabe o que é cantar. Parecem uma banda de covers de liceu, só que já devem ser muito mais velhos que qualquer pessoa que ande no liceu. Já vi bandas punk com gente de 14/15 anos a tocar mil vezes melhor que eles. A grande surpresa da noite começou uns tempos depois. Bypass. Uma banda portuguesa cheia de poder. Dois guitarristas, um baixista, um baterista e um vocalista/teclista foram suficientes para me converter. Fazem música muito original, sabem tocar juntos, têm consciência das suas capacidades e, como se costuma dizer, "dão a sova toda". São uma banda para se ouvir ao vivo, deve ser impossível capturar a essência deles em disco (até porque o EP deles não mostra nem metade do que eles são capazes de fazer). Com algumas influências óbvias, e com outras menos óbvias (há temas em que parecem os Doors, tanto pelos instrumentais como pela abordagem do vocalista), os Bypass fazem aquilo a que se costuma chamar pós-rock. Música complexa, com estruturas peculiares, usando instrumentos menos usuais, oriundos de diversas partes do mundo ajudam a criar um ambiente musical muito envolvente. Talvez pequem, em certas partes, pelo som dos pratos, como o Luís fez questão em notar, pelo baixista parecer algo desenquadrado e por faltar um microfone para capturar os gritos do segundo guitarrista. Mesmo assim, foi um excelente concerto. Momentos depois, os Logh começam a passear pela sala, começando a montar o seu equipamento. Começa a notar-se, aí, que eles não são pessoas normais. São suecos, e têm um estilo tímido, diferente, e desde logo começam a montar um estranho mas belo ambiente, com candeeiros em cima dos amplificadores. O que mais intrigava as pessoas era como poderiam eles funcionar sem os pianos que ajudam a criar a atmosfera que têm em disco. Mesmo sem o piano, estes saíram-se maravilhosamente bem, fiquei muito bem impressionado. Não conhecia muito bem a música deles, só tinha ouvido os seus discos poucas vezes. Estes suecos piscam os olhos ao rock alternativo americano, com melodias muito bonitas, alternando entre temas calmos e temas mais pesados, sempre mantendo a beleza extrema que caracteriza a sua música. Apenas tenho a dizer que o vocalista/guitarrista não sabe beber cerveja por uma garrafa (eu vi que ele fez muita espuma) e que alguém devia comprar um gorro ao baixista (já que dois dos guitarristas tinham um, ajudaria a compôr mais as coisas). Gostei muito, foi uma noite memorável. No fim, comprei um 7" dos Logh, ainda estou para ouvi-lo. Quero louvar a associação cultural "A Mula", e gente como o Vítor Junqueira, entre outras pessoas, por ter trazido estas pérolas suecas a Portugal. Continuem assim.

Alinhamento (roubado à Ampola):

- The King Of Romania
- Yellow Lights Mean Slow Down Not Speed Up
- An Alliance Of Hearts
- Ghosts
- Note On Bathroom Mirror
- The Raging Sun
- A Vote For Democracy
- Lookalike
- The Contractor And The Assassin
- Bastards Have Landed
- Bones Of Generations
- City I'm Sorry

1º Encore:

- In Cold Blood
- The Hour We Knew Nothing

2º Encore:
- Thin Lines