sexta-feira, abril 16

ENTREVISTA COM O MESTRE


Encontrei na internet (mais) uma entrevista ao Mestre do Diário de Coimbra. Entre outras coisas, o Mestre mostra-se como o David Bowie português, como podemos ver neste excerto:

DC - Ao longo dessa carreira seguiu sempre um rumo?
JC - Não segui muito. Eu sou muito camaleão. A minha carreira é muito incoerente. Muito cheia de surpresas, de coisas que não sabiam que eu fazia e outras coisas que eu fiz e são mais notórias e que as pessoas até podem não gostar. A minha carreira é, portanto, muito camaleónica e muito pouco coerente, isto é, não me cinjo a uma ideia de escrever dentro de um estilo. Eu tenho que ser, em termos de criatividade, um pouco anárquico, porque é a única via de se escrever e de se estar livre para se escrever. É a única maneira de ser-se si próprio.

O Mestre falou também do seu protagonismo na internet, como podem ver nestes excertos, mas nunca chegou a referir este blog, que tanto tem feito para louvá-lo. Não posso crer que ainda não se tenha deparado com isto.

DC - Para um artista, a catalogação que as pessoas fazem é terrível?
JC - Sim, mas como gravei outras coisas que eu gostava muito e não funcionaram... É o caso do meu álbum “10.000 anos depois entre Vénus e Marte”, dos anos 70. O álbum só funcionou 20 anos depois quando os americanos descobriram o álbum e o editaram na íntegra, em português, e foi nomeado entre os 100 melhores álbuns de rock progressivo mundiais no final do século passado. Daí para a frente, quando se fala de rock progressivo na Internet e hard rock o álbum é quase um álbum de culto e vai desde o Japão aos EUA, à Austrália, à França, à Inglaterra, a tudo que é sítio.

DC - A tradição em Coimbra pesa negativamente?
JC - Sim, porque a tradição é o futuro, não é o passado. José Afonso e Adriano ou Góis quando apareceram eram o futuro, hoje são a tradição. Eu não percebo como é que eu tenho dezenas de milhar de sites na Internet a falar da minha obra de rock progressivo e rock sinfónico e quando vêm os Stones cantar a Coimbra não sou eu que estou lá a abrir o concerto. Eu gosto imenso dos Xutos & Pontapés mas os Xutos não são da geração dos Stones. A geração dos Stones sou eu. Como é que eu e o Quarteto 1111 não abrimos os Stones?


Já agora, uma entrevista minha com o grande Travis Morrison, líder dos extintos Dismemberment Plan, no sítio do costume